
Procurando Emily (Finding Emily, 2026) abre com uma citação de Freud sobre amor e psicose, usada como base da tese da americana Emily Raine (Angourie Rice), estudante de psicologia que trata o amor como um resquício evolutivo dispensável. Isso vem de abandono paterno e de um relacionamento sem compromisso com Tristan (Timothy Innes), colega de faculdade.
Owen (Spike Fearn), engenheiro de som de 23 anos, pede ajuda a Emily para encontrar uma garota chamada Emily que conheceu em uma festa. Emily aceita porque vê nele um estudo de caso que pode fortalecer sua tese e ajudá-la a conseguir uma bolsa e permanecer no Reino Unido.
Como é uma comédia romântica, o objetivo não é descobrir se Owen vai encontrar a outra Emily. A narrativa existe para que Owen perceba que “amor à primeira vista” não é real e que vínculos surgem de convivência, enquanto Emily aprende que o amor pode ser irracional, mas não precisa ser descartado. A roteirista Rachel Hirons sabe exatamente qual é o caminho esperado, mas o filme falha na execução. Os protagonistas não tem química suficiente para sustentar o romance. Isso compromete o gênero, que depende dessa conexão.
A personagem de Rice também não ajuda. Emily é manipuladora durante boa parte do filme, escondendo suas intenções de Owen. É um clichê comum do gênero, mas aqui não funciona porque a química não existe. Sem isso, o comportamento dela só torna a personagem desagradável.
Os coadjuvantes são mais interessantes do que Emily. Cora Kirk, como Anna, domina todas as cenas em que aparece. Anthony J. Abraham, como Kyle, funciona bem. Amber Grappy, como Rhea, entrega diálogos melhores do que os protagonistas e parece mais desenvolvida do que deveria para alguém com tão pouco tempo de tela. A ausência dela prejudica o filme.
Outros personagens são mal utilizados. Há também uma presidente de grêmio estudantil e uma podcaster que tentam funcionar como “garotas malvadas” modernas, mas acabam parecendo caricaturas mal definidas, quase reforçando estereótipos ao invés de satirizá-los, beirando a misandria.
O resultado é que “Procurando Emily” busca ser uma comédia romântica que tenta seguir o molde, mas não sustenta o que o gênero exige. Tem elementos reconhecíveis, mas não tem força própria. É um eco de filmes melhores, sem impacto suficiente para se manter por conta própria. Não vale a jornada.












