V/H/S/ Mixtape (por Peter P. Douglas)

Fazer uma mixtape para alguém é um gesto presunçoso. É decidir quais emoções outra pessoa deve sentir e em qual ordem. “V/H/S Mixtape” (2026) leva, em seus 98 minutos de duração, essa ideia ao extremo e entrega a nona antologia da franquia (agora sob nova gestão), com quatro curtas e interlúdios musicais ligados ao tema: Som. É uma justificativa simples para mais um filme da série, mas também evidencia que haverão altos e baixos.

Dessa vez, os anfitriões são os integrantes do GWAR (que eu não conhecia e descobri que são uma banda de verdade ao pesquisar material para fazer essa análise), que praticamente, permanecem presentes o tempo todo. Dependendo do espectador, isso gera simpatia ou cansaço imediato. Eles entregam diálogos grosseiros que funcionam, mas seus segmentos têm uma estética tão barata que fazem a proposta parecer ultrapassada. O filme já começa com um membro do GWAR ejaculando em desenhos para que esses ganhem vida, incluindo uma versão de si mesmo feita em giz de cera. Os dois lutam se masturbando um no outro. É um aviso claro do que vem pela frente.

“Dance, Dance, Dance, Dance”, dirigido por Renee Zhan, usa um programa infantil para fins macabros. Nele, marionetes assombradas atacam uma equipe que tenta “reinventar” o show. Flying Lotus dirige “Another Cabin”, uma animação stop‑motion com potencial, mas que termina tão rápido que se torna esquecível.

Em “Heartbeat”, David Moreau coloca um casal de exploradores urbanos em uma câmara tão isolada acusticamente que eles ouvem os próprios batimentos cardíacos. Ernest Dickerson dirige “The Music of Mr. Zhe”, sobre um jovem que descobre que seu apartamento fica abaixo de um portal para o Inferno. “Premature Burial”, de Tobias Forge, é um videoclipe que dividirá opiniões.

O destaque é “Death Tone” dirigido por RZA. Neela Jolene interpreta uma engenheira de som obcecada em encontrar a batida perfeita para uma faixa de sucesso, transformando-se em uma espécie de assassina sonora. O curta explora sons de violência de forma incrível, mesmo exagerando com atuações coadjuvantes fracas e visual superficial.

A franquia “VHS” continua resistente. Um décimo filme já está em produção, com o subtítulo “SCP”, baseado no projeto colaborativo homônimo e será distribuído pela A24, que tenta repetir o impacto de “Backrooms” (2026). Infelizmente, “V/H/S/ Mixtape”, diante de seus antecessores e de seu possível sucessor, parece uma faixa esquecível dentro de uma lista mais interessante. Aos interessados, tem cena pós-crédito.

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