
Quando se falou pela primeira vez sobre “Toy Story 4” (2019), muitas pessoas devem ter ficado genuinamente chateadas. Não por não gostarem da franquia — pelo contrário, gostam até demais. E o problema é justamente esse: “Toy Story 3” encerrou tudo tão perfeitamente, tão emocionalmente, tão “eu vou chorar de novo mesmo sabendo cada fala”, que a ideia de mexer nesse final parecia quase um sacrilégio.
Claro, seria fácil toparmos ver mais aventuras dos nossos brinquedos com Bonnie — curtas, especiais, qualquer coisa. Mas “Toy Story 3” deveria ser o final da história principal. Ainda assim, lá fomos nós consumir mais um filme da franquia, porque fã é assim: reclama, mas assiste.
Em “Toy Story 4”, percebe-se que muita coisa parece mais forçada do que os eventos naturais dos três primeiros filmes: 1) Buzz chega e vira o mundo dos brinquedos de cabeça pra baixo; 2) Woody é roubado e descobre que é praticamente uma celebridade vintage; 3) Os brinquedos aceitam que Andy cresceu e precisam seguir em frente.
Mas, apesar disso, o filme entrega mais uma grande aventura e avança a história do Woody, dando a ele um final satisfatório — e, ao mesmo tempo, um novo começo.
O filme abre com um flashback de nove anos atrás, mostrando o destino de Betty, o verdadeiro amor do Woody, quando ela é dada para outra criança. Depois voltamos ao presente, onde Bonnie está crescendo e Woody está sendo cada vez menos escolhido para brincar. No primeiro dia de aula dela, Woody se esconde na mochila para garantir que tudo dê certo. Lá, Bonnie cria um novo amigo: Garfinho, feito de lixo. Literalmente lixo. E, claro, quando chega ao quarto, Garfinho ganha vida e passa o filme inteiro tentando voltar para o lixo, porque ele tem plena consciência de sua origem.
Durante uma viagem de carro, Woody tenta convencer todos — inclusive Garfinho — de que ele é importante para Bonnie. Mas Garfinho se joga pela janela, e Woody vai atrás, iniciando uma série de aventuras que incluem reencontros, novos personagens e muita correria.
Todos os personagens clássicos estão de volta, e os novos são ótimos: Gabby Gabby, Patinho, Coelhinho e o dublê supremo Duke Caboom (Keanu Reeves), que rouba a cena com cada entrada dramática.
“Toy Story 4” é a Pixar fazendo o que faz de melhor: juntando personagens carismáticos em situações hilárias e tirando humor e emoção de cada segundo. Não é o melhor da franquia — convenhamos, a régua está lá no espaço sideral — mas ainda assim é muito divertido. E, no fim das contas, nos chateamos à toa. Porque, mesmo não sendo necessário, a obra funciona. E funciona bem.
















