
O Diabo Veste Prada 2 (The Devil Wears Prada 2, 2026), longa-metragem estadunidense de comédia, distribuído pela Searchlight Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 30 de abril de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 119 minutos de duração.
Se você assiste “O Diabo Veste Prada 2” como um filme isolado, sem carregar nas costas o peso emocional, cultural e fashionista do original, ele funciona. É genérico? Sim. Poderia ser sobre qualquer figura poderosa da atualidade? Também. Mas é bem dirigido, tem ritmo, tem comentários sociais, tem glamour suficiente para distrair — e, como cinema independente da franquia, até se sustenta.
Mas como continuação… ai o salto quebra. É justo dizer que ficamos monstruosamente decepcionados com a sequência do filme de 2006 — aquele que virou franquia, musical, coleção de produtos, parceria com marcas e provavelmente até linha de aromatizadores de ambiente. Não que o original tivesse mudado nossa vida, mas divertia e era um conto de fadas fashion com final subvertido. Funcionava.
A história de Andie (Anne Hathaway), a jovem deslocada que sonhava em ser jornalista séria, mas acabou estagiando na revista Runway sob o comando da temida Miranda Priestly (Meryl Streep), era simples e eficiente. A Runway era a Vogue, Miranda era Anna Wintour, e todo mundo estava feliz com essa ficção descarada.
Agora, nessa segunda parte, só queriamos vestidos, glamour, futilidade deliciosa. Uma pausa do mundo real. Mas não. Meryl Streep, em entrevista, deixou claro que só aceitaria voltar se o filme “falasse ao momento”. E foi aí que tudo começou a desandar.
O filme decidiu que precisava comentar o declínio das editoras tradicionais. Ok, é um tema real. Mas aqui virou a trama inteira. Em vez de vestidos, temos reuniões intermináveis sobre QUAL BILIONÁRIO VAI COMPRAR A REVISTA. É como assistir a uma fusão corporativa com intervalos ocasionais de vestidos de gala.
Com quase duas horas de duração, o filme dilui tanto as discussões corporativas que não sobra espaço para personagens. Andie até encontra um par romântico incrível (Patrick Brammal), mas ele ganha três cenas: – uma fofa, – uma briguinha, – uma reconciliação sem beijo, sem sexo, sem nada. É romance homeopático.
Rachel Bloom também aparece, oferece um contrato de livro para Andie por US$ 50 mil, depois US$ 350 mil, sem disputa, sem lógica, sem motivo. É como se o roteiro tivesse sido escrito por um algoritmo que só entende “dinheiro = drama”.
Miranda Priestly, antes uma deusa tirânica que fazia Paris tremer, agora está… sentada humildemente num escritório minúsculo, esperando uma promoção. Como se Miranda Priestly aceitasse humildemente qualquer coisa. Ela teria fugido dali anos atrás, montado seu próprio império e comprado a Dior só de birra. Mas aqui, ela está domesticada. Casada com Kenneth Branagh num relacionamento sem atrito — porque aparentemente ninguém nesse filme tem conflitos reais.
Andie, por sua vez, está num limbo de status: perdeu o emprego, ganhou um prêmio, foi contratada para salvar a Runway, mas depois o motivo muda, e ela volta a ser submissa a Miranda. Nada faz sentido. Continua sendo retratada como uma idiota desorientada, mesmo 20 anos depois. É como se ela tivesse ficado congelada em 2006. Seu problema agora é que ninguém lê seus artigos sérios porque ela trabalha numa revista de moda. A solução? Assediar Lucy Liu com 18 mensagens de voz até conseguir uma entrevista exclusiva. Em qualquer mundo real, isso daria processo. Aqui, dá capa.
Emily (Emily Blunt) agora é chefe da Dior — ou algo assim — mas ainda namora um bilionário babaca (Justin Theroux) porque… dinheiro. O filme coloca todo mundo num estado de meio-termo emocional, onde ninguém quer nada, ninguém luta por nada, ninguém tem motivação.
Stanley Tucci continua sendo Stanley Tucci, mas seu personagem está ali só porque o público gosta dele. Ele foi traído no primeiro filme e, inexplicavelmente, ficou 20 anos na revista. Porque o roteiro mandou.
O primeiro filme era escapismo. O segundo é uma mistura triste de drama corporativo, crítica social mal feita e personagens sem vida. Ele tenta ser relevante, mas só consegue ser deprimente. No fim, ao tentar servir às intenções sinceras de Meryl Streep, “O Diabo Veste Prada 2” não serve a mais ninguém, exceto a bilheteria.
















