Dia D, 2026 (por Peter P. Douglas)

Dia D (Disclosure Day, 2026), longa-metragem estadunidense de ficção científica, distribuído pela Universal Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 11 de junho de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 146 minutos de duração.

Não sei se, numa sociedade toda fragmentada e cada um por si (onde ninguém acredita em nada e todo mundo acha que é especialista), até a revelação de alienígenas conseguiria unir as pessoas em frente à TV. Também não sei se o governo dos EUA, junto com uma empresa privada, conseguiria esconder um segredo por 79 anos — eles mal conseguem esconder um PowerPoint mal feito. Mas, mesmo assim, a visão de Steven Spielberg sobre esse mundo caótico é fascinante em “Dia D”. David Koepp, parceiro de longa data de Spielberg, assina o roteiro. E, olha, graças ao talento do Spielberg e, principalmente, à atuação de Emily Blunt, o filme consegue superar um roteiro que às vezes parece ter sido escrito numa pausa para café.

Eu não esperava que um filme do Spielberg começasse com luta livre profissional, mas é exatamente assim que começa. É lá que agentes da empresa Wardex encontram Daniel Kellner (Josh O’Connor). O mundo está à beira da Terceira Guerra Mundial, Rússia e Coreia do Norte estão inquietas, e Daniel, um gênio da matemática cibernética, roubou algo importante. Pelos trailers, já sabemos que é tecnologia alienígena, porque Spielberg não consegue resistir a um ET. O CEO da Wardex, Noah Scanlon (Colin Firth), aparece pessoalmente para capturar Daniel e até traz Jane (Eve Hewson), namorada do rapaz, para convencê-lo a se entregar. Mas, graças à tecnologia alienígena, Daniel e Jane escapam. Eles também contam com Hugo Wakefield (Colman Domingo), que claramente sabe mais do que está dizendo.

Enquanto isso, Margaret Fairchild (Emily Blunt) rouba a cena no exato segundo em que aparece. Ela é uma meteorologista de Kansas City, se arrumando para sair com o namorado, quando um cardeal vermelho invade a cozinha. Ela fica hipnotizada, começa a falar em outra língua, e o namorado fica com aquela cara de “eu só queria tomar meu café-da-manhã”. Depois, ao vivo na previsão do tempo, Margaret solta sons não naturais e desmaia. Somente Daniel entende tudo que ela disse: “Não tenha medo do que você não conhece.” A Wardex percebe que ela também tem conexão com os alienígenas e tenta capturá-la. Margareth foge — e, felizmente, deixa o namorado para trás — para se encontrar com Daniel. Sinceramente, sempre que Blunt não estava em cena, eu ficava esperando ela voltar. Ela domina o filme.

Mas eu também queria ver Daniel explicando tudo para Jane. Jane, aliás, revela que quase virou freira — porque não adicionar isso ao currículo? Ela argumenta que a humanidade não está pronta para saber sobre alienígenas, especialmente num momento tão caótico. Segundo ela, isso abalaria a fé das pessoas, já que existiriam seres com poder semelhante ao de Deus. Eu fiquei meio confuso, porque até aquele momento nada indicava que os alienígenas fossem tão poderosos assim. Mas, claro, sempre tem alguém que decide fundar uma religião nova. Inclusive, uma mulher se benze diante de Margaret no final, e Margaret responde: “Eu não quero ser a religião de ninguém.”

Minha regra prática é simples: divulgação. Concordo com Daniel. Não dá pra controlar informação, nem como as pessoas reagem a ela. E nem deveríamos tentar. Uma freira explica para Jane que ela não perdeu a fé em Deus, mas sim nas pessoas — o que, convenhamos, é bem mais fácil de perder. E também diz que Deus pode ter criado outras criaturas especiais pelo universo. Justo.

Onde fico mais cético é no plano de Daniel para divulgar tudo: transmitir arquivos alienígenas na TV e esperar que o mundo simplesmente aceite. Ah, Daniel… humanos não funcionam assim. Como os técnicos perguntam: “Isso é inteligência artificial?” “Como sabemos que é real?” Mesmo quando um alienígena aparece no estúdio de Kansas City, ainda haveria gente dizendo que é CGI. Afinal, até hoje tem gente que duvida da ida à Lua. É o que é.

Depois que Daniel e Margaret se juntam (e dois britânicos usando sotaque americano é sempre divertido), temos a melhor sequência de ação: carro quase atropelado por trem, fuga no último segundo, tudo digno de Spielberg. Margaret tem um ataque de pânico logo depois — e Blunt entrega uma atuação absurda. O filme tem várias cenas de ação ótimas, incluindo uma em uma fazenda e outra com um caminhão de bombeiros invisível.

O roteiro de Koepp é superficial porque as premissas principais são meio frágeis, e o argumento de Jane não é exatamente convincente. Noah só diz “o mundo é conflituoso”, o que não é exatamente uma tese. Hugo quer poder e dinheiro — ok, isso faz sentido. E os alienígenas têm exatamente a aparência clássica de 79 anos atrás, o que pode ser intencional… ou não.

Mas Spielberg é Spielberg. E Blunt é Blunt. Juntos, seguram o filme durante sua extensa duração. Quando o alienígena apareceu na redação, eu fiquei arrepiado. Adorei. E adoro imaginar o mundo se unindo diante de um momento assim. Quem sabe isso não traria paz em vez de guerra.

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