Y2K – O Bug do Milênio (por Peter P. Douglas)

Dois adolescentes absolutamente comuns — daqueles que mal conseguem pela porta de uma festa — decidem invadir a última grande farra antes da virada do milênio, na véspera de Ano Novo de 1999. Eles só queriam beber refrigerante quente e talvez beijar alguém no escuro, mas a meia-noite chega e… bom, digamos que a noite fica um pouco mais caótica do que eles esperavam.

Como bom millennial, sempre achei hilária a histeria do Bug do Milênio. A ideia de que todos os computadores do planeta iam explodir só porque o relógio virou para “00” sempre me pareceu coisa de tiozão apocalíptico. E, por incrível que pareça, nenhum filme tinha abraçado essa maluquice direito. Até agora.

Kyle Mooney, integrante do Saturday Night Live, estreia na direção com um filme nostálgico. Se você não gosta de nostalgia, talvez seja melhor procurar outra coisa. Mas se nostalgia é seu combustível — como é o meu — você está em casa.

Mooney e o co-roteirista Evan Winter criam uma aventura divertida sobre um grupo de desajustados que precisa enfrentar máquinas revoltadas que decidem exterminar a humanidade assim que o relógio bate meia-noite. O filme sabe que a premissa é absurda e ri de si mesmo, mas ainda assim tenta manter um pezinho na realidade. Um pezinho só.

E o elenco? Surpreendentemente ótimo! Laura (Rachel Zegler), Eli (Jaeden Martell), Danny (Julian Dennison), CJ (Daniel Zolghadri) e Ash (Lachlan Watson) são os protagonistas. Um grupo nada homogênico formado pela rainha do baile, dois nerds virgens, um fã de hip hop e uma fã do Limp Bizkit.

E falando em Limp… Fred Durst aparece interpretando… Fred Durst. E ele manda tão bem que você até esquece que ele é o Fred Durst. Ele conta sua própria “história de fogueira” com a confiança de quem já sobreviveu a Woodstock 99. Tim Heidecker, Kid Laroi, Alicia Silverstone, Mason Gooding e o próprio Mooney surgem em papéis menores, mas divertidos — alguns tão rápidos que piscou, perdeu.

Um dos maiores acertos do filme é como ele lida com momentos pesados. Tem morte de personagem importante que cai do céu (às vezes literalmente), e o filme não trata isso como piada descartável. Mooney mostra que sabe equilibrar comédia e drama — mesmo que o humor ainda seja bem juvenil. Só queria que algumas mortes fossem menos “tropecei e morri” e mais “efeito prático nojento e memorável”.

A cena de invasão cibernética parece saída diretamente de Jurassic Park, com gráficos tão ridículos que você quase espera ouvir “é um sistema UNIX!”. Depois, o filme mergulha em efeitos especiais dignos de “O Passageiro do Futuro” (1992), e honestamente? Funciona pela nostalgia. Os visuais são deliciosamente 1999, com aquela estética de computador que parecia avançada na época e hoje parece feita no Paint 3D.

Fico imaginando quantas piadas sobre o Bug do Milênio vão passar batido para quem nasceu depois de 2005. Tem referência que só quem viveu sabe. E o filme depende MUITO dessa nostalgia — tanto para o humor quanto para a história.

Apesar de algumas conveniências narrativas e de seguir uma estrutura bem básica, “Y2K – O Bug do Milênio” tem reviravoltas suficientes para manter o interesse. Eu adorei o grupo de perdedores adoráveis e, considerando que o filme é para maiores de 18, eu até aceitaria um pouco mais de sangue. Mas pelo menos ele entrega algumas situações inesperadas e absurdas.

Como toda comédia, vai dividir opiniões. Mas eu me diverti bastante. Não é perfeito, mas é uma viagem deliciosa para um mundo exagerado onde robôs decidem exterminar a humanidade porque o calendário virou.

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