Eu & Você na Toscana (por Peter P. Douglas)

Eu & Você na Toscana (You, Me & Tuscany, 2026), longa-metragem estadunidense de comédia romântica, distribuído pela Imagem Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 11 de junho de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 104 minutos de duração.

Hoje em dia, encontrar uma comédia romântica no cinema é quase como achar vaga no estacionamento do shopping no sábado: raríssimo. A maioria vai direto para o streaming, onde vive ao lado de reality shows e filmes de Natal produzidos em massa. Por isso, assistir “Eu & Você na Toscana” na telona foi quase terapêutico. É o tipo de filme que parece um prato de comida bem-feito — reconfortante, gostoso e com o tempero certo para não ficar sem graça.

Anna (Halle Bailey) está perdida após a morte da mãe. Abandonou a escola de culinária, virou cuidadora de casas e, basicamente, vive a vida dos outros porque a dela está em modo “pausa”. Aí ela conhece Matteo (Lorenzo de Moor) num bar — porque romances cinematográficos sempre começam em bares — e ele menciona que tem uma vila vazia na Toscana. Anna, que não tem nada prendendo-a em Nova York além de contas para pagar, pega a passagem que a mãe deixou e voa para a Itália no impulso. Quem nunca quis fazer isso, né?

Chegando lá, Gabriella (Isabella Ferrari), mãe de Matteo e Nonna Alessia (Stefania Casini) a confundem com a noiva dele — porque nada diz “comédia romântica” como um mal-entendido gigantesco. Mas tudo muda quando Anna conhece Michael (Regé-Jean Page), o irmão vinicultor que parece ter saído diretamente de um comercial de perfume italiano. Aí sim ela encontra um motivo para ficar na Toscana que não envolve apenas massas e paisagens de cartão-postal.

O filme é encantador. Não tenta reinventar o gênero, não quer ser profundo, não quer ganhar Oscar — ele só quer ser doce, engraçado e romântico. E consegue. O roteiro prefere ser sincero do que esperto, e embora eu quisesse um pouco mais de impulsividade, ainda assim é uma história acolhedora.

O elenco ajuda muito. A família de Matteo é maravilhosa, o motorista de táxi (Marco Calvani) é hilário, a melhor amiga americana (Aziza Scott) um show à parte. A presença de alguns visitantes em um tour ao vinhedo também fazem toda a diferença. Todo mundo contribui para criar aquele universo onde o romance floresce como uva em vinhedo italiano.

A química entre Bailey e Page não é explosiva, mas funciona. Não é “meu Deus, eles vão incendiar a tela”, mas é “ok, eu acredito nisso”. Bailey está linda, mas talvez não seja a escolha perfeita para o papel — ainda assim, sua inocência dá um charme inesperado à personagem.

E claro: a Itália. Nenhum país faz propaganda de si mesmo tão bem quanto a Itália em comédias românticas. Cada cena parece um convite para largar tudo e ir morar numa vila com paredes de pedra e cheiro de pão fresco. Até o sanduíche mais simples parece gourmet. E ainda tem referência a “Sob o Sol da Toscana” (2003), porque tradição é tradição.

Apesar de ser um romance, o filme também fala sobre família, luto e encontrar seu lugar no mundo. Se você já se sentiu perdido, vai entender Anna rapidinho. Talvez você não possa fugir para a Itália — infelizmente — mas pode se refugiar no cinema por algumas horas e aproveitar esse romance quentinho como um abraço de Nonna.

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