
No seu vigésimo terceiro aniversário, Nick DiSanto (Luke Kleintank) decide visitar a mãe (Lesley-Anne Down) internada num hospício, esperando descobrir quem é seu pai. Péssima ideia. Ela está completamente fora da realidade, e, para completar o dia, morre num incêndio logo depois. Parabéns, Nick.
Nick tem um dom estranho: basta tocar alguém para ver a morte da pessoa. Um poder útil? Talvez. Um poder que arruína encontros sociais? Com certeza. Ele conhece Eve (Alex McKenna), se apaixona, engravida a moça e tenta viver uma vida normal — o que, claro, não vai acontecer.
Chamado para a leitura do testamento da mãe, Nick descobre que herdou uma casa. Até aí tudo bem. O problema é que ele reconhece a casa da foto porque… vem desenhando ela desde criança. Nada suspeito. Ele, Eve e o amigo Ryan (Anthony Rey) partem para River’s End, uma cidade que não aparece em mapa nenhum — sempre um ótimo sinal.
Chegando lá, descobrem que a cidade foi destruída por uma enchente, mas a casa sobreviveu e saiu flutuando por aí como se fosse um barco mal-assombrado. Eles encontram a casa intacta no meio da floresta, agora ocupada por Seth (Tobin Bell), que tem toda a vibe de “profeta do Velho Testamento que não toma banho desde 1973”. Ele avisa Nick que a casa é má. E, claro, Nick ignora.
A partir daí, o filme entra no modo “surrealismo caipira demoníaco”. Homens corpulentos aparecem do nada e perseguem o grupo. Um sujeito de dreadlocks anda de lado e ataca a van com um machado. A cidade parece vazia, mas está cheia de gente que simplesmente ignora os protagonistas. Não importa para onde eles corram, sempre acabam voltando para a casa. Nick vê corpos pendurados em árvores. Pessoas conversam com grades de ventilação. A mãe morta de Nick aparece com metade do rosto faltando pedindo para ele abrir a porta do porão.
E falando em porão… o porão é o grande mistério, o grande segredo, o grande “não abra isso, pelo amor de Deus”. Nick sente que a resposta sobre seu pai está lá. Seth diz que abrir a porta vai libertar um mal indescritível. E o filme fica brincando com isso até o fim.
O diretor Victor Salva, como sempre, entrega um terror cheio de ideias estranhas, monstros originais e cenas que você não vê em lugar nenhum. “Casa Escura” (Dark House AKA Haunted, 2014) tem momentos realmente criativos.
Mas… o final. Ah, o final. Ele simplesmente não existe. O filme para, olha para você e diz: “se vira aí”. No geral, “Casa Escura” é um filme cheio de ideias malucas, momentos memoráveis e um clima único — mas também é frustrante, com um final que parece ter sido arrancado do roteiro com uma tesoura.
















