Maldição da Múmia (por Peter P. Douglas)

Maldição da Múmia (Lee Cronin’s The Mummy, 2026), longa-metragem estadunidense de terror, distribuído pela Warner Bros, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 16 de abril de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 133 minutos de duração.

Katie (Emily Mitchell) vive com a família no Cairo (Egito), em meados de 2010: o pai jornalista Charlie (Jack Reynor), a mãe enfermeira Larissa (Laia Costa), o irmão Seb (Dean Allen Williams) e uma irmãzinha prestes a nascer, Maud (Billie Roy). Tudo normal até que, pouco antes de uma tempestade de areia, uma mulher misteriosa (Hayat Kamille) aparece e… puf, sequestra a menina. Assim mesmo. Sem explicação. Sem recibo. Sem nada.

Oito anos depois, a família agora mora na casa de Carmen (Verônica Falcón) — mãe de Larissa — em Albuquerque, Novo México — porque nada diz “recomeço” como trocar pirâmides por deserto americano — e recebe uma ligação dizendo que Katie foi encontrada dentro de um sarcófago de três mil anos, que estava no interior de um avião que caiu. A queda também matou os dois ocupantes do avião de um jeito tão gráfico que até o “Mortal Kombat” ficaria impressionado.

E não, antes que você pergunte: não é nenhum filme da franquia “A Múmia” e nem do Tom Cruise. Este aqui é um terror visceral que quer te fazer sofrer pelos ouvidos. Cada efeito sonoro parece alguém arranhando um quadro-negro com uma chave de fenda. É intencional. É tortura artística.

Como bom nerd de mitologia, eu estava pronto para maldições, deuses vingativos, hieróglifos assassinos… e recebi o quê? Um demônio inventado chamado Nasmaranian, que basicamente é um cosplay de múmia com bandagens e mau humor. Ele é o “Destruidor de Famílias”, o que soa ameaçador até você perceber que ele parece um vilão rejeitado de “Scooby-Doo”.

Katie, por ser “inocente”, vira a hospedeira perfeita. Mas ela ainda está consciente o suficiente para mandar mensagens em Código Morse. Sim, Morse. Porque nada diz “terror moderno” como comunicação naval do século XIX.

Claro que quem explica tudo isso é um acadêmico. E, para completar o pacote, temos fitas VHS com rituais demoníacos, porque aparentemente o mal não atualizou seu formato de mídia desde 1993.

Katie é interpretada por duas atrizes (Natalie Grace é quem assume a personagem após seu retorno) — o que funciona bem com o salto temporal — e o filme entrega levitações à la “O Exorcista” (1973), violência gráfica e muita pele se soltando como se ela fosse um boneco de cera esquecido no sol. Tudo isso enquanto a policial egípcia Dalia Zaki (Maio Calamawy) tenta descobrir quem sequestrou Katie e por quê, mesmo que o roteiro pareça não saber direito a resposta.

No geral, “A Maldição da Múmia” tenta ser profundo, mas acaba sendo só… repulsivo. Não é horrível, mas também não é bom. É aquele terror que existe puramente para te fazer dizer “eca” em voz alta. A trama é fragmentada, o final é forçado, e honestamente o filme deveria ter acabado muitos minutos antes.

Se você gosta de terror corporal e curtiu o outro filme do diretor — A Morte do Demônio: A Ascensão (2023) — talvez valha a pena. Eu, porém, fiquei com aquela sensação de “podia ter sido melhor”.

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