
2Die4: 24 Horas No Limite (2Die4: 24 Hours No Limit, 2025), longa-metragem documental nacional, distribuído pela O2 Play, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 30 de abril de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 60 minutos de duração.
O título “2Die4” faz parecer que você está prestes a assistir à sequência de algum terror trash ou à quarta parte de uma franquia que ninguém pediu. Mas não: o “2” e o “4” são só uma referência estilosa às 24 Horas de Le Mans, a corrida mais prestigiada do mundo — segundo o próprio filme, que menciona isso nos créditos iniciais e depois nunca mais toca no assunto, como quem diz “já fiz minha parte, agora se vira”.
O documentário não está nem aí para explicar por que Le Mans é importante, como funciona, por que é difícil, ou por que alguém em sã consciência passaria 24 horas dirigindo em círculos. Há uns bastidores aqui e ali, mas tudo com a profundidade de um story do Instagram. O maior drama é uma discussão sobre pneus de chuva ou pneus slick. Se você não sabe a diferença, parabéns: você está tão perdido quanto o filme.
Os irmãos Abdala (André e Salomão) — diretores, roteiristas, editores, operadores de câmera, provavelmente também responsáveis pelo lanche — foram à França filmar a tentativa do piloto Felipe Nasr de vencer a corrida. Só esqueceram de contar quem é Felipe Nasr. Nada sobre sua carreira, sua ascensão, sua passagem pela Fórmula 1. Para quem não é brasileiro ou fã de automobilismo, Nasr poderia ser qualquer pessoa que encontrou um macacão da Porsche no brechó.
O pouco que sabemos vem da narração do próprio Nasr, que soa como se tivesse sido escrita por um coach de alta performance: “Como cheguei aqui e por quê?” Pois é, Felipe, a gente também queria saber.
Não podemos esquecer de mencionar que a voz de um dos maiores comentaristas da Fórmula 1, Reginaldo Leme, é ouvida… durante 2 minutos… e só! O documentário tenta vender a ideia de que estamos diante de uma jornada épica, mas para o público em geral é só “um piloto correndo uma corrida”. Não ajuda muito.
Mas aí vem o ponto forte: as imagens. A filmagem é linda, digna de IMAX — e o filme faz questão de lembrar disso a cada cinco minutos. Motores rugindo, carros passando a 300 km/h, chuva, neblina, câmera lenta dramática… é tudo tão bonito que você quase esquece que não está entendendo nada. A sequência noturna na chuva é tão estilosa que parece um comercial de perfume dirigido pelo Christopher Nolan.
E aí vem a parte curiosa: os outros dois pilotos que dividem o carro com Nasr… não têm rosto. Literalmente. O filme não mostra. É como se fossem NPCs de videogame. O foco é 100% “Felipe Nasr: “O Escolhido”. O resultado? Um documentário que parece mais um vídeo institucional da Porsche misturado com um projeto de vaidade dos diretores.
O filme tem 60 minutos, mas parece o episódio piloto de uma série que nunca existiu. Falta contexto, falta história, falta profundidade. Sobra marketing. Sobra Porsche. Sobra Felipe Nasr sendo filmado como se fosse o Neo do automobilismo.
E a ironia final: o filme se vende como “pioneiro do cinema brasileiro”, mas se chama 2DIE4, é assinado pelos “Abdala Brothers”, tem letreiros em inglês e é falado majoritariamente em inglês. É o tipo de obra que quer ser internacional e brasileira ao mesmo tempo — e acaba parecendo um intercambista confuso.
No fim, “2Die4: 24 Horas No Limite” é lindo de ver, mas raso como uma poça d’água. Uma ode ao piloto, à Porsche e ao próprio filme. Uma experiência que tenta ser grandiosa e minimalista ao mesmo tempo — e acaba tropeçando nas próprias ambições.
















