
Tudo que é ruim pode piorar! Você fã da obra original de 1999, se assustou (não no bom sentido) com o segundo filme de 2018, e agora descobre que “Do Fundo do Mar 3” (Deep Blue Sea, 2020) não tem nada de especial. A pergunta é: como alguém achou que isso seria uma boa ideia?
Os pontos positivos existem, mas são frágeis. Os tubarões‑touro caçam em grupo — conceito divertido em um filme que não se leva a sério, mas aqui não é o caso. As cenas subaquáticas são bem filmadas, com aquela sensação de abismo e ameaça invisível. Em qualquer outro filme, isso criaria suspense. Aqui, não cria nada. São bonitas, mas inúteis.
O filme não decide o próprio tom. Às vezes tenta ser sério, às vezes tenta ser engraçado. No fim, não é nenhum dos dois. Fica num limbo que não agrada ninguém. Falta autoconsciência, falta direção, falta coragem de assumir o que é.
Para o elenco genérico falta carisma, falta presença, falta qualquer coisa que impeça o tédio. A protagonista é ainda mais irritante. A atuação é ruim, mas não do tipo “ruim divertido”. É só ruim. O clichê “os humanos são os verdadeiros vilões” aparece, mas não serve pra nada. As frases de efeito seguem o mesmo padrão: não são engraçadas, são constrangedoras. As cenas de luta incluem chutes giratórios de 360 graus dignos de Van Damme, tornando cada vez mais impossível saber se o filme está falando sério ou não.
As mortes dos tubarões são exageradas e deslocadas. Funcionariam em um filme assumidamente trash. Aqui, só parecem fora de lugar. Os efeitos são fracos, e o orçamento baixo é evidente. Nada foi feito para disfarçar isso. Os 100 minutos de duração são arrastados, então o filme teria se beneficiado se tivesse apenas 80 ou 90 minutos.
No fim, “Do Fundo do Mar 3” representa tudo o que há de errado com filmes de tubarão pós-Tubarão: não é bom o suficiente para ser levado a sério, nem autoconsciente o suficiente para ser “ruim divertido”. Fica preso no meio, sem identidade, sem graça, sem propósito. Não vale o tempo!












