
Pequenas Criaturas (2025), longa-metragem nacional de drama, distribuído por Filmes do Estação e Bananeira Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 23 de julho de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 106 minutos de duração.
“Pequenas Criaturas”, sob a batuta de Anne Pinheiro Guimarães, segue Helena (Carolina Dieckmann), uma mãe largada à própria sorte, na cidade de Brasília em 1986, depois que o marido (Michel Melamed) decide ir embora. Jogada num ambiente novo, ela tenta reorganizar a vida enquanto administra dois filhos que parecem ter sido importados de galáxias distintas: André (Théo Medon), um adolescente com os nervos à flor da pele e o pequeno Dudu (Lorenzo Mello), cuja obsessão por “Planeta dos Macacos” é tão intensa que às vezes dá a impressão de que ele vive num spin-off só dele.
O filme, desde o primeiro minuto, avisa que não está nem um pouco interessado em acontecimentos grandiosos. A aposta é num ritmo contemplativo, cheio de silêncios, microtensões e aquela introspecção que só funciona quando existe substância — o que aqui, infelizmente, aparece em doses homeopáticas.
A narrativa frequentemente parece uma colagem de cenas soltas, como se alguém tivesse embaralhado o álbum de família e dito “isso aí é o filme”. Muita coisa começa, termina e… acabou. Sem impacto, sem aprofundamento, sem o peso emocional que claramente estava ao alcance.
Mesmo assim, “Pequenas Criaturas” consegue fisgar o espectador com uma tensão silenciosa que permeia boa parte da história. Tudo aponta que algo significativo está prestes a acontecer — até que o público percebe que essa promessa nunca será cumprida. O filme levanta perguntas bem mais interessantes do que qualquer resposta que se digna a oferecer.
O roteiro também tenta suavizar a aridez da nova cidade ao apresentar encontros que tornam o ambiente menos hostil. A mensagem é clara: não é o lugar que muda a vida, são as pessoas que cruzam o caminho. Bonito, sim — mas não o suficiente para compensar o resto.
Tecnicamente, a produção abraça a simplicidade. A direção evita firulas e mantém uma atmosfera intimista, o que combina com a proposta, embora também contribua para que o ritmo fique arrastado em vários trechos.
O verdadeiro tropeço acontece quando, depois de construir uma narrativa baseada em conflitos cotidianos e emoções humanas, o filme resolve mudar de tom como quem troca de canal no controle remoto. A guinada é tão brusca que parece que alguém trocou o rolo na cabine. O resultado é uma conclusão que contradiz tudo o que veio antes e deixa a sensação de que a história desistiu de si mesma justamente na reta final.
No fim das contas, “Pequenas Criaturas” é delicado, sensível e cheio de boas intenções — mas o ritmo lento, a evolução dramática quase inexistente e um desfecho que ignora a própria lógica impedem que o filme alcance o potencial que estava escancarado desde o início.
















