
A Morte do Demônio – Em Chamas (Evil Dead Burn, 2026), longa-metragem estadunidense de terror, distribuído pela Sony Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 09 de julho de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 117 minutos de duração.
Depois de excelentes lançamentos esse ano, que fizeram fãs de terror se deliciarem, é meio deprimente topar com algo tão absurdamente ruim quanto “A Morte do Demônio: Em Chamas”. O festival de sangue e violência do diretor francês Sebastian Vanicek até tem seus momentos (vide os ângulos de filmagem de algumas cenas), mas eles estão enterrados sob uma direção tão desajeitada que parece que alguém utilizou uma câmera possuída para produzir as imagens.
Quando a franquia voltou em 2023 com “Evil Dead Rise”, já notamos que a trama se distanciava um pouco da idéia original difundida desde 1981, mas ainda foi bem aproveitada. Agora, infelizmente, parece que Vanicek e o corroteirista Florent Bernard aprenderam a lição errada: mudaram tudo e ainda confundiram carnificina criativa com repulsa.
“A Morte do Demônio: Em Chamas” se deleita com a mutilação de tudo e todos (com certeza, sem problema nenhum nisso), porém muitos momentos parecem gratuitos e desconexos. O humor sarcástico de Ash e da trilogia de Sam Raimi ficou para trás, substituído por uma devastação corporal implacável, mas sem imaginação. Fora que, a fadiga chega cedo (sofremos com o ritmo lento e arrastado a ponto de nos provocar sonolência).
Agora a trama (destoante) nos apresenta um “terror familiar”. Após acompanharmos no prólogo um pescador partido ao meio e seu amigo fervido vivo, somos apresentados à família central da história. Tudo começa com o elenco de jovens em uma boate pertencente ao agressivo Will (George Pullar), que comemora o aniversário do irmão Joseph (Hunter Doohan), bem menos dominador. Will é o tipo de pessoa que dá ao irmão uma caneta caríssima só para pressioná-lo passivo-agressivamente a terminar seu livro, para desgosto de sua cunhada Thya (Luciane Buchanan) e de sua esposa Alice (Souheila Yacoub). Quando Alice dá um presente melhor, Will tem um ataque de fúria, sai dirigindo como um maníaco e atropela um Deadite (nome dado aos demônios do Necronomicon) que estava convenientemente à procura dele.
Descobrimos que Will e Joseph são netos de um pesquisador que encontrou a única coisa capaz de matar os demônios: uma adaga Kandariana. Quando Joseph a encontra, os Deadites sentem a presença do objeto e passam a devorar qualquer alma que entre em seu caminho, usando Will para atingir toda a família — incluindo o pai Edgar (Errol Shand), a mãe Susan (Tandi Wright) e a avó Polly (Maude Davey).
O filme conta com lampejos de direção inteligente e coreografia inventiva, além de um elenco que se esforça ao máximo para entregar boas performances. É uma obra claramente feita por pessoas inspiradas pelo terror extremo francês — “Alta Tensão” (2003), “Martyrs” (2008) e companhia — mas tão obcecado com suas imagens mais chocantes que esquece de conectar tudo de forma coerente.
No fim, é difícil ignorar a sensação de que a franquia está indo na direção errada. Uma série que começou com cabanas na floresta e o perigo de ler livros encapuzados de carne agora está atolada na “era do trauma/luto” do terror. “A Morte do Demônio: Em Chamas” é sobre como uma mulher sobrevive não só a um abusador, mas também à família conivente. E, honestamente, não tem como não sentirmos falta dos tempos em que as ferramentas elétricas vinham sem tantos acessórios temáticos pesados.
Fica o aviso para os desavidados: Aguardem na sala (atualmente do cinema e futuramente, das residências) as duas cenas pós-crédito, pois apesar de não trazerem nada de revelador para a trama, apontam um indicativo de que “as regras de não machucar determinados tipos de personagens” claramente não são aplicadas aqui. Ah, e vale a pena mencionar para prestarem atenção nos easter eggs (a foto do Bruce Campbell na parede da escada chega a ser hilária).
















