Bone Lake, 2024 (por Peter P. Douglas)

“Lago dos Ossos” (Bone Lake, 2024) apresenta a trama de dois jovens casais presos numa residência de férias, reservada simultaneamente, no meio da floresta. O roteiro de Joshua Friedlander se desenrola suave, gelado, cheio daquela deliciosa disputa de “nossas vidas são melhores que as suas”, com ódio silencioso e alfinetadas nada sutis.

A diretora Mercedes Bryce Morgan, muito sabiamente, pega esse drama passivo‑agressivo e eleva ao máximo, desmontando a dinâmica sexual de relacionamentos longos (de um dos casais) de forma inteligente — e cada vez mais caricata, como se alguém tivesse apertado o botão “exagerar”.

E apesar da cena inicial com um saco escrotal à mostra (que, infelizmente, ficará gravada na memória de todos nós), a câmera da diretora, depois age de forma surpreendentemente contida. Ela prefere lingeries emocionais a nudez literal: olhares proibidos, tensões perigosas, silêncios que dizem mais do que gritos. A pele fica em segundo plano; o foco é a raiva não expressa entre os quatro atores — Alex Roe, Andra Nechita e Marco Pigossi, todos muito bem escolhidos, mas ancorados pela excelente Maddie Hasson, a mais sutil e imprevisível do grupo.

Isso não quer dizer que as coisas não desandem. Um filme tão contido quanto “Lago dos Ossos” (mal vemos o lago, muito menos qualquer coisa além da casa) sofre para manter o ritmo no terço central. Algumas reviravoltas absurdas (irmãos?) fazem o espectador implorar para que a bomba‑relógio final finalmente exploda. E quando explode… explode MESMO!

A diretora ousa e se joga de cabeça em baldes de gosma, motosserras descontroladas e revelações finais tão sensacionalmente absurdas quanto você esperaria. Chega de testículos rasgados ao meio — agora é caos total. É diversão da boa, visceral, exagerada, sangrenta e, surpreendentemente, instigante. Essa é a essência de “Lago dos Ossos”: o que poderia ser uma obra prolixa vira um espetáculo deliciosamente violento, tão divertido quanto catártico.

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