Tudo Bem No Natal Que Vem (por Peter P. Douglas)

Na história de “Tudo Bem No Natal Que Vem” (2020), dirigida por Roberto Santucci, Jorge (Leandro Hassum), é um homem que aprendeu a odiar o Natal. Nasceu em 25 de dezembro e sempre viu seu aniversário ser engolido pelo feriado. Contudo, ele se casa com Laura (Elisa Pinheiro), que ama o período, assim como os filhos e parentes.

Ano após ano, assumindo as tarefas natalinas mais desgastantes, como comprar presentes, resolver pendências, enfrentar trânsito, calor e lojas lotadas, Jorge só reforça seu incômodo.

Depois de um acidente, enquanto subia na chaminé (o filme tem um tom de ambientação estadunidense), vestido de papai noel, em 24 de dezembro de 2010, Jorge entra em um loop temporal que o obriga a viver somente os Natais. O ciclo envolve confusões, idas e vindas no casamento, piadas repetidas e situações previsíveis.

O longa-metragem usa a estrutura de restrospectiva de “Click” (2006), com humor simples e momentos dramáticos pontuais. A narrativa trabalha temas como desgaste familiar, rotina, reconciliação e a ideia de reencontrar propósito. Em 101 minutos, entrega mensagens sobre convivência, gratidão e o papel da família, principalmente diante de uma tragédia.

Visualmente, o filme organiza bem as mudanças temporais, com paletas distintas para cada período da vida de Jorge (é uma solução funcional). O elenco demonstra muita química na maior parte do tempo e, Louise Cardoso se destaca como sogra, assim como Danielle Winits no papel de antagonista.

Hassum conduz o filme, muito bem, dentro do que já costuma fazer. A obra é eficiente no que se propõe, e vai surpreender muita gente que assistí-lo.

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