Com Isabelle Hupert vampira e clássico de Chantal Akerman, FILMICCA defende cinema feminino na 50ª Mostra de Cinema em São Paulo

‘A Condessa Sangrenta’, de Ulrike Ottinger, estreou em Berlim; adaptação de Marcel Proust, ‘A Prisioneira’, de Akerman, chega à Mostra em cópia restaurada em 4K

Ampliando sua atuação como distribuidora de cinema, a FILMICCA apresenta dois filmes dirigidos por mulheres na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. De um lado, A CONDESSA SANGRENTA (2026), novo longa-metragem da cineasta alemã Ulrike Ottinger, com Isabelle Huppert no papel de uma vampira. Do outro, A PRISIONEIRA (2000), um dos trabalhos mais celebrados da belga Chantal Akerman, que retorna às telas em versão restaurada em 4K. A CONDESSA SANGRENTA terá lançamento comercial nos cinemas brasileiros em 2027.

A Condessa Sangrenta

Aos 84 anos e com mais de cinco décadas de carreira, Ottinger continua a explorar um universo marcado pelo experimentalismo, pela fantasia e pela transgressão. Exibido no Festival de Berlim deste ano, A CONDESSA SANGRENTA traz Huppert como Elizabeth Báthory, figura histórica húngara cercada por lendas de assassinatos e vampirismo. Na trama, a condessa ressurge na Viena contemporânea e, acompanhada de sua fiel criada, parte em busca de um livro capaz de destruir todos os vampiros. O elenco inclui Lars Eidinger, de Dying (2024), Burghart Klaußner, de A Fita Branca (2009), Thomas Schubert, de Afire (2023), e Conchita Wurst, artista austríaca vencedora do Eurovision em 2014.

A Prisioneira

Já A PRISIONEIRA adapta livremente a obra de Marcel Proust para acompanhar a relação obsessiva entre Simon (Stanislas Merhar) e Ariane (Sylvie Testud), marcada pelo ciúme, pela vigilância e pelo desejo de controle. Apresentado no Festival de Cannes em 2000, o longa ficou em segundo lugar na lista dos melhores filmes daquele ano da revista francesa Cahiers du Cinéma. A restauração em 4K oferece ao público brasileiro uma nova oportunidade de descobrir a obra de Akerman, falecida em 2015 e consagrada como uma das cineastas mais importantes da história do cinema.

Autora de A PRISIONEIRA, Akerman também dirigiu Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975), eleito o melhor filme de todos os tempos na mais recente edição da tradicional enquete da revista britânica Sight and Sound, realizada em 2022. Seu cinema, frequentemente dedicado às experiências femininas e às relações entre tempo, espaço e cotidiano, tornou-se uma referência para diferentes gerações de realizadores.

A escolha dos dois títulos reforça uma das marcas da FILMICCA: aproximar o público brasileiro de obras fundamentais do cinema mundial e de filmes contemporâneos que desafiam convenções. As duas diretoras também ocupam espaço de destaque no catálogo da plataforma de streaming. São oito filmes de Ottinger, incluindo Retrato de uma Bêbada – Caminho sem Volta (1979) e Freak Orlando (1981), e nada menos que 30 títulos de Akerman, entre eles Eu, Tu, Ele, Ela (1974), Notícias de Casa (1976) e Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975).

Na 50ª Mostra de São Paulo, A PRISIONEIRA terá três sessões, enquanto A CONDESSA SANGRENTA será exibido quatro vezes.


SINOPSE DE A CONDESSA SANGRENTA
Décadas após seu misterioso desaparecimento, a Condessa Sangrenta ressurge na Viena dos dias atuais, onde reencontra sua fiel criada, Hermine, para procurar um livro perigoso, capaz de destruir todo o mal — inclusive todos os vampiros, assim como elas. As duas partem em uma caça ao tesouro pelos magníficos locais históricos da cidade e recrutam o melancólico sobrinho da condessa — um vampiro vegetariano chamado Bubi — e seu psicoterapeuta, enquanto ampliam as buscas até a região da Boêmia. Enquanto isso, uma dupla de vampirologistas e um inspetor de polícia seguem obstinadamente seus passos.

SOBRE ULRIKE OTTINGER
Nascida em Konstanz, na Alemanha, em 1942, Ulrike Ottinger é artista visual e cineasta, reconhecida por sua obra experimental e iconoclasta. Sua carreira inclui filmes como Retrato de uma Bêbada (1979), Freak Orlando (1981), e Dorian Gray no Espelho dos Tabloides (1984). Nas últimas décadas, também se dedicou ao documentário e ao cinema etnográfico, com obras como Taiga (1992), The Korean Wedding Chest (2009), Under Snow (2011) e Paris Calligrammes (2020). Seus filmes passaram por festivais como Cannes, Veneza e Berlim, enquanto seu trabalho artístico foi apresentado em instituições como o MoMA, o Centro Pompidou e o Museu Reina Sofía.

A FILMICCA possui uma coleção na plataforma dedicada a cineasta alemã, com 8 filmes realizados por ela entre os anos 70 e 90, todos em versões restauradas. A coleção pode ser acessada aqui: https://assista.filmicca.com.br/collection/3a6c4f0e-093d-4579-8d31-b68c82135c40


SINOPSE DE A PRISIONEIRA
Ariane vive com Simon em um grande apartamento em Paris, sob constante vigilância. Ele quer saber tudo sobre ela, acompanha suas saídas e a submete a perguntas incessantes. Ariane, porém, mantém uma parte de sua vida fora do alcance de Simon, sobretudo em seus encontros com outras mulheres, entre elas Andrée. Convencido de que ela leva uma vida dupla, Simon se torna cada vez mais ciumento e obsessivo, tentando adentrar em um mundo que permanece inacessível para ele. Quando os dois decidem partir juntos para uma última viagem, a relação chega ao limite. Baseado em A PRISIONEIRA, de Marcel Proust.

SOBRE CHANTAL AKERMAN

Chantal Akerman nasceu em Bruxelas, na Bélgica, em 1950. Aos 18 anos, dirigiu seu primeiro curta-metragem, Saute Ma Ville (1968). Depois de uma temporada em Nova York, onde realizou o documentário Hotel Monterey (1972), voltou à Europa e dirigiu Eu, Tu, Ele, Ela (1974) e Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975), marco do cinema feminista. Sua filmografia inclui ainda Os Encontros de Anna (1978), Golden Eighties (1986), Noite e Dia (1991) e Retrato de uma Garota do Fim dos Anos 60 (1994), exibido na 19ª Mostra de São Paulo. Seu último filme foi o documentário Não É um Filme Caseiro (2015). Akerman morreu em Paris, em 2015.

A FILMICCA possui uma coleção com mais de 20 filmes realizadas pela diretora belga Chantal Akerman, incluindo Jeanne Dielman. A coleção pode ser acessada aqui: https://assista.filmicca.com.br/collection/a44c3084-b72b-46fb-9878-ffb5dee5e2d9


SESSÕES NA 50ª MOSTRA DE CINEMA DE SÃO PAULO

A PRISIONEIRA
15 de outubro, 18h45 | Cine Tutu
21 de outubro, 21h20 | Cine Belas Artes – Sala 1 Leon Cakoff
29 de outubro, 19h | Circuito Spcine Lima Barreto – CCSP

A CONDESSA SANGRENTA
19 de outubro, 21h | Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 1
22 de outubro, 17h | Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 2
26 de outubro, 21h | Espaço Petrobras de Cinema – Sala 3
1º de novembro, 16h45 | Cultura Artística

Em homenagem aos 50 anos da Mostra, a FILMICCA criou uma coleção com todos os filmes disponíveis na plataforma que passaram nas edições anteriores do festival. A coleção pode ser acessada aqui: https://assista.filmicca.com.br/collection/b2f11fda-401c-439a-a659-0a4fff427c68


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SOBRE A FILMICCA
Fundada por Gracielly Pinto, a FILMICCA é um streaming nacional e independente de cinema autoral e cult, do clássico ao contemporâneo, com lançamentos semanais, incluindo obras inéditas, exclusivas e de grandes festivais. Com uma curadoria que valoriza filmes realizados por mulheres, histórias LGBTQIAPN+, narrativas negras, obras de novos cineastas e de grandes diretores do cinema mundial, a FILMICCA possui um vasto acervo com cerca de 500 títulos disponíveis, incluindo obras de importantes realizadores como Chantal Akerman, Kiyoshi Kurosawa, André Novais Oliveira, David Cronenberg, Mia Hansen-Løve, Miloš Forman, Víctor Erice, Djibril Diop Mambéty, entre outros.

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