A Última Casa, 2026 (por Casal Doug Kelly)

A Última Casa (The Last House, 2026), longa-metragem estadunidense de suspense e drama, estreia, oficialmente, no streaming da Netflix, a partir de 07 de agosto de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 112 minutos de duração.

“A Última Casa”, novo filme “original” da Netflix — aquele do tipo que vira número 1 por uma semana e depois evapora — parte de uma premissa interessante demais para o resultado medíocre que entrega. É o clássico caso de ideia boa desperdiçada por gente ocupada demais copiando filmes melhores, sem desenvolver nada próprio. Com personagens mal construídos e uma alegoria de confinamento (Covid-19) tão óbvia que parece saída de um manual de pandemia, a obra é frustrante e facilmente esquecível.

O elenco é forte no papel: Wagner Moura e Greta Lee como protagonistas, Louis Leterrier na direção. Expectativas altas, claro. O problema é que nada disso importa quando o roteiro é fraco e a escolha de elenco não faz diferença alguma.

A introdução já mostra o tom: Jason (Moura) pescando, e logo fugindo de uma tempestade com efeitos especiais baratos, enquanto uma narração infantil fala sobre “o dia em que a chuva chegou”. Jason volta para casa, onde vive com a esposa Ann (Lee) e os filhos Graham e Ruth. A casa é bagunçada, as contas estão vencidas, e a estrutura está comprometida.

A tempestade chega, a internet cai, e logo as portas e janelas deixam de abrir. A chuva vira uma gosma que se move como o T-1000 (Exterminador do Futuro), e Jason reage como se fosse só mais um detalhe estranho. A família fica presa, sem comunicação, e os vizinhos estão na mesma situação. Jason revela uma arma escondida — o típico “objeto do terceiro ato” — e o filme segue acumulando decisões idiotas.

Com o tempo, eles começam a racionar comida. Ann planta uma horta improvisada. As crianças estudam com livros velhos. Os vizinhos se viram como podem. Ruth vê monstros lá fora, mas ninguém leva a sério porque o filme não tem coragem de assumir nada.

Cinco anos depois — algo que o trailer já entrega — as crianças são interpretadas por atores mais velhos, a casa virou uma selva inclinada e coberta de musgo, e todos aprenderam a se esconder das criaturas. A estética tenta simbolizar o estado psicológico da família, mas tudo soa forçado e sem propósito. O filme está mais preocupado em chegar ao final do que em explicar qualquer coisa.

A chuva viscosa não tem lógica. É apenas um elemento jogado ali, sem origem, sem função clara, sem construção. Parece mistério, mas não é envolvente. Lembra thrillers de ficção científica que fazem isso muito melhor.

O tom é outro problema: oscila entre comédia familiar e desespero sombrio. Moura e Lee gritam, berram e hiperventilam como se isso compensasse personagens mal escritos. Não compensa. Só gera vergonha alheia.

No fim, “A Última Casa” é o típico caso de “quem escreveu isso?”. Um filme que tenta parecer profundo, mas só entrega uma coleção de absurdos mal executados.

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