Não Existe Almoço Grátis (por Peter P. Douglas)

Não Existe Almoço Grátis (2026), longa-metragem documental nacional, distribuído pela Descoloniza Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 03 de setembro de 2026, com classificação indicativa 10 anos e 74 minutos de duração.

“Não Existe Almoço Grátis” é um documentário que segue a cartilha da simplicidade (até o extremo por assim dizer). Três mulheres do MTST — Bizza dos Santos, Jurailde Ferreira e Socorro da Silva — cozinham refeições gratuitas para cerca de mil pessoas durante a posse do presidente Lula em 2022. Elas sabem o que estão fazendo, têm estrutura, têm equipe, têm ingredientes. Produzem, conversam, montam as quentinhas, entregam. E acabou. A contagem dos dias na tela é quase decorativa, já que tudo se repete sem variação.

O processo de cozinhar, que deveria ser o centro do filme, aparece pouco. As protagonistas também não se aprofundam em política. Uma delas menciona ter votado em Bolsonaro em 2018 e se arrependido — e o debate termina aí. Os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel optam por um filme que preza pela observação no sentido literal: registram o que acontece, sem investigar nada além do óbvio. Não conversam com ninguém que viajou para a posse, não exploram as pessoas que trabalham ao redor das protagonistas e muito menos buscam contexto.

O filme cita Lula e Bolsonaro nos primeiros minutos, mas evita comparações políticas. Interessa mais como gesto humanista do que como análise histórica. A intimidade com as três protagonistas é o ponto forte: elas falam com naturalidade, como amigas de longa data. Essa informalidade concede a produção uma proximidade que em nada parece artificial. Os diretores não analisam a importância sociológica ou simbólica do evento de posse. Fazem um filme sem tensão, sem conflito e sem drama. E dentro da proposta, funcionou!

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