Scarlet Blue, 2024 (por Peter P. Douglas)

“Que diabos eu acabei de assistir?” é a reação natural depois de “Scarlet Blue”. O filme promete ficar na cabeça do espectador — e fica, embora nem sempre pelos motivos certos.

A trama acompanha Alter (Anne‑Sophie Charron), que inicia um relacionamento com Chris (Aurélia Mengin), atendente de um posto 24h, enquanto frequenta sessões com um terapeuta (Stefano Casseti) que atende em uma caverna marinha — nada ortodoxo. Alter carrega um trauma antigo, ligado à depressão e possível esquizofrenia. A relação com a mãe (Patricia Barzyk) é tensa e claramente central para entender o passado que moldou sua vida adulta.

O filme mistura peixes fluorescentes devorados crus, sexo, simbolismo aquático e sequências estilizadas em cenários oníricos, embaladas por uma trilha sonora intensa. É um mosaico sensorial que não se preocupa em ser acessível.

O clímax traz uma cena de exposição relativamente direta, onde Alter força a mãe a revelar o que aconteceu em sua infância. A explicação ilumina parte do comportamento da protagonista, mas não resolve tudo. “Scarlet Blue” quer que o espectador pense.

Não é o tipo de filme que você assiste para “entender”. A direção de Aurélia Mengin é competente, a trilha de Luke Kay e Pablo Mengin amplifica o impacto visual, e cada cena usa cores vibrantes para prender a atenção. Mengin tem uma visão clara e não tenta agradar ninguém. O filme existe nos termos dela.

Cada espectador vai interpretar “Scarlet Blue” de um jeito. Alguns vão ignorar, outros vão se identificar, outros vão montar o quebra‑cabeça aos poucos. É arte subjetiva: não busca consenso, só reação.

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