
Cheiro de Diesel (Smell of Diesel, 2025), longa-metragem nacional documental, distribuído pela Descoloniza Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 02 de abril de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 83 minutos de duração, dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins.
“Cheiro de Diesel” é aquele tipo de documentário que você assiste sabendo que vai sair mal-humorado, revoltado e com vontade de escrever um textão no Twitter, seja a favor ou contra. A obra mergulha nas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Rio de Janeiro entre 2014 e 2018 — um período em que o governo decidiu que a melhor forma de “garantir a segurança” era colocar milhares de militares dentro de favelas.
A história começa em 2014, quando, a dois meses da Copa do Mundo no Brasil, o governo federal, através da presidente Dilma Rousseff, decreta uma GLO no Rio de Janeiro. Nome bonito, propósito nobre no papel… e execução digamos… meio desastrosa. A Operação São Francisco leva 2,5 mil militares para ocupar 15 favelas do Complexo da Maré. Oficialmente, a ocupação duraria 14 meses. Na prática, durou o suficiente para deixar um rastro de denúncias: tortura, coerção, invasão de casas, assassinatos e todo tipo de irregularidade que você não quer ver associado ao termo “garantia da lei”.
O documentário, através da visão de suas diretoras e de alguns moradores, não tenta dourar a pílula. Nada de porta-voz engravatado, nada de coletiva de imprensa com PowerPoint. São relatos diretos, que tentam desmontar a narrativa oficial de “pacificação”, assim como um tanque desmonta um muro.
O trabalho de documentação começou em 2014, reunindo inquéritos, relatos de vítimas e registros de comunicadores comunitários — gente que filmou, fotografou e escreveu enquanto o resto do país assistia aos jogos da Copa e às cerimônias da Olimpíada. “Cheiro de Diesel” busca expor uma discrepância entre o que o Estado dizia estar fazendo e o que realmente estaria acontecendo.
As GLOs, previstas na Constituição, deveriam ser usadas como último recurso. Último mesmo. Tipo “não tem mais nada que possa ser feito”. Mas no Rio, entre Copa, Olimpíadas e intervenção federal, elas viraram quase um item de decoração institucional. E o Complexo da Maré, por estar cercado por vias estratégicas — Linha Amarela, Linha Vermelha, Avenida Brasil e o Galeão — virou palco dessa militarização. O documentário tenta mostrar como essa escolha não foi neutra, técnica ou inevitável. Foi política. E teve consequências profundas.
















