Eu Não Te Ouço (por Peter P. Douglas)

Eu Não Te Ouço (2026), longa-metragem nacional de comédia dramática, distribuído pela Amaia Produções, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 14 de maio de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 71 minutos de duração.

Tendo como base um meme da internet, “Eu Não Te Ouço”, dirigido por Caco Ciocler é praticamente um duelo de Marcio Vito contra… Marcio Vito. O ator interpreta tanto o caminhoneiro quanto o sujeito pendurado no para-choque, o que já deixa claro que o orçamento foi tão enxuto quanto a paciência do espectador. É quase um “Velozes e Furiosos” existencial, só que sem velocidade, sem furiosos e com muita conversa atravessada.

A proposta é fazer uma crítica severa ao bolsonarismo — e só isso mesmo. O filme trata a mente da extrema direita como se fosse um quebra-cabeça de 12 peças, tentando “elucidar” a alienação como se tudo fosse apenas falta de conhecimento. Neutralidade? Nem passou perto. A obra não menciona erros de nenhum outro espectro político, então a experiência acaba parecendo mais um santinho eleitoral filmado do que uma obra que busca equilíbrio.

Sim, há momentos engraçados — como o patriota que quer cantar o hino nacional, mas não sabe a letra. Uma metáfora perfeita para quem defende o país com a mesma convicção com que esquece o CPF na farmácia. O filme tenta criar debates, metáforas, reflexões… ou pelo menos finge que está tentando. Cabe ao espectador decidir se aquilo é filosofia ou só improviso.

Mas o maior problema é o ritmo. Com apenas 1h11 de duração, o filme consegue parecer mais longo que fila de cartório. A história não tem muito para onde ir, então fica rodando em círculos como caminhão sem GPS. O roteiro se estica mais do que precisava — sinceramente, teria funcionado muito melhor como um curta-metragem. Talvez até como um vídeo de 20 minutos no YouTube.

A ideia é boa, mas a execução tropeça. A produção não acerta o tempo, não ajusta o ritmo e acaba virando um road movie nacional que esqueceu de calibrar os pneus. No geral, fica a sensação de que havia potencial, mas o filme se perde na própria intenção política e na tentativa de parecer mais profundo do que realmente é.

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