
Homem-Aranha 4 – Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day, 2026), longa-metragem estadunidense de ação e aventura dramática, distribuído pela Sony Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 29 de julho de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 145 minutos de duração.
Sem muito esforço, o novo filme do Homem-Aranha (o quarto com Tom Holland) acaba sendo o mais competente entre os quatro. Não por causa de truques grandiosos, mas porque entrega reviravoltas inesperadas que a Marvel escondeu com uma estratégia de divulgação tão vaga que parecia feita para despistar até quem trabalha lá dentro. Chris McKenna e Erik Sommers voltam ao comando do roteiro, puxando fios deixados ao longo de vários projetos do MCU e montando uma trama que promete mexer com o futuro desses personagens.
Parte do impacto vem do fato de que a história não foi despejada em trailers que contam tudo. Isso já ajuda. Mas, daqui pra frente, aviso dado: spoilers.
O diretor Destin Daniel Cretton abre o filme com Peter Parker lidando com o rastro deixado pelo multiverso. Tia May (Marisa Tomei) morreu, Ned (Jacob Batalon) e MJ (Zendaya) não lembram mais dele, e Peter tenta fingir que isso não o afeta. A única pessoa que ainda cruza seu caminho é a detetive Jean DeWolff (Liza Colón-Zayas), que funciona como uma espécie de guia pragmática para alguém que insiste em se isolar. Sem ninguém, Peter se afunda no trabalho de limpar Nova York de criminosos de segunda categoria: A Mão, Lápide conhecido como “Lonnie Thompson Lincoln” (Marvin Jones III) e Mac Gargan (Michael Mando), que agora usa um rabo mecânico e se autodenomina Escorpião.
O problema real surge quando o DNA de Peter começa a mudar, dando a ele novos sentidos e mecanismos físicos de teia. Ele teme virar algo mais próximo de uma criatura do que de um herói, então tenta reverter o processo. Enquanto isso, observa seus antigos amigos de longe, colocando-os em risco por causa de uma antagonista que salta de mente em mente e descobre sua identidade. Esse inimigo tenta usar MJ como distração para invadir o Departamento de Controle de Danos, comandado por Bill Metzger (Tramell Tillman), uma organização que se vende como “gestora de energia destrutiva”, mas age como uma força de contenção que prende super-humanos na rua como se fossem criminosos aleatórios.
A quantidade de personagens na primeira metade parece saída direto das HQs, onde figuras do universo Marvel apareciam por uma edição e sumiam. Aqui, porém, o Justiceiro de Jon Bernthal e o Bruce Banner de Mark Ruffalo ganham espaço. Bernthal retorna com uma versão menos desequilibrada de Frank Castle, capaz até de humor. Banner, agora professor, criou um dispositivo para impedir suas transformações. Peter tenta adaptar o aparelho para resolver seu próprio problema. Mas, como sempre, Banner carrega uma raiva que não desaparece só porque ele quer. Ambos descobrem que qualquer tentativa de suprimir algo inevitável só adia o impacto.
O filme gira em torno disso: o perigo de tentar impedir mudanças que vão acontecer de qualquer jeito. Isso se intensifica quando o inimigo de Peter se revela uma adolescente com habilidades que apontam para o futuro da espécie humana — e para a próxima fase do MCU. Sadie Sink interpreta a personagem Jean Grey de forma a deixar claro que ela não está ali para ser coadjuvante decorativa. Sua presença reforça o tema da repressão e abre caminho para a chegada dos mutantes de Charles Xavier ao MCU. Assim como Peter, ela não tem ninguém. E sem alguém com quem dividir o peso, o luto vira um processo que corrói.
O filme abraça o formato típico de blockbuster. O diretor continua eficiente nas cenas de combate, usando elementos de artes marciais e câmera lenta para criar momentos empolgantes, embalados pela trilha de Michael Giacchino. O CGI não é dos melhores, especialmente nas cenas de Peter e MJ balançando pela cidade, mas o impacto dramático sustenta o conjunto. Um confronto entre Homem-Aranha, Hulk e Justiceiro termina com um momento pesado, e o final traz um clímax que deve arrancar lágrimas de quem ainda tem paciência para o MCU.
O que parece ser mais um “Homem-Aranha enfrenta vilão misterioso” vira uma história sobre a necessidade de vínculos, sobre aceitar mudanças e sobre o fato de que ninguém consegue carregar tudo sozinho. Enquanto o resto do MCU continua preso em discussões intermináveis sobre multiverso, o Homem-Aranha permanece focado em conflitos pessoais e personagens que realmente importam. Com os próximos eventos gigantescos vindo aí, esse tipo de abordagem pode desaparecer — então aproveite enquanto ainda existe.
















