Consequências Paralelas (por Casal Doug Kelly)

Consequências Paralelas (2026), longa-metragem nacional de drama e ficção científica, distribuído pela O2 Play, estreia, exclusivamente, na rede de cinemas Cinesystem, a partir de 15 de outubro de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 80 minutos de duração.

Com um roteiro escrito desde 2014, “Consequências Paralelas” se passa inteiro dentro de uma cabana. Três personagens, uma poltrona e um dispositivo que cria realidades paralelas. Basta sentar, girar um botão, criar um checkpoint (igual ao do videogame) e declarar que o novo contexto e realidade já estão acontecendo. Não há mudança visual, não há transição estética, às vezes nem corte. É um faz‑de‑conta simples que exige aceitação imediata do espectador.

O filme se apresenta como ficção científica, mas não trabalha o gênero. É, na prática, um experimento teatral: cenário único, iluminação fixa, dependência total de diálogos. A ideia de viagem no tempo ou realidades alternativas é tratada como equivalentes, sem aprofundamento. A linguagem é pequena, mas o roteiro e as atuações tentam soar graves. O resultado é um contraste estranho.

Os atores passam o filme chorando, ofegantes, gritando. Cada nova realidade repete o mesmo padrão: Pedro quer matar Max, Bruna está envolvida, há arma em punho, acusações e histeria. O dispositivo permitiria variações, mas o trio — Carol Macedo, Felipe Hintze e João Fenerich — é colocado para repetir o mesmo tom. Não há urgência real porque não há motivação clara. Não conhecemos os personagens, seus traumas ou razões. A tensão é artificial.

A experiência se torna cansativa. A curta duração não ajuda porque o filme insiste no mesmo ritmo: gritos, ameaças, repetição de conflitos em múltiplas realidades que não fazem diferença. A poltrona com luzes piscantes é tratada como algo poderoso, mas não sustenta nada.

O cinema brasileiro precisa explorar fantasia e ficção científica, inclusive com baixo orçamento. Aqui, isso não acontece. “Consequências Paralelas” se interessa pelo conceito de viagem no tempo, mas não pela execução visual ou sonora que tornaria isso verossímil. É uma ideia sem materialização.

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