
Love Kills (2025), longa-metragem nacional de terror e romance, distribuído pela O2 Play, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 21 de maio de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 95 minutos de duração, baseado na graphic novel homônima de Danilo Beyruth.
Trata-se daquele tipo de filme que chega com uma proposta ousada — vampiros na São Paulo real, marginal, decadente — e abraça essa ideia com tanta vontade que mesmo suas falhas acabam ficando interessantes de observar. É uma obra que vibra mais pela ambição do que pela precisão.
O que mais chama atenção é justamente o deslocamento do vampiro clássico. Nada de castelos, aristocracia ou sedução gótica. Aqui, eles vivem em quitinetes mofadas, prédios caindo aos pedaços, becos iluminados por neon barato. É uma escolha que funciona bem como metáfora: seres à margem, invisíveis, sobrevivendo entre restos — como tantos grupos excluídos da cidade. A diretora Luiza Shelling Tubaldini tenta transformar essa marginalidade em potência, e a fotografia de Jacob Solitrenick ajuda muito, com luzes coloridas que fazem São Paulo parecer uma graphic novel viva.
O filme tem um charme particular quando se entrega a essa estética: a mansão decadente de Victor (Flow Kountouriotis), o restaurante grotesco de Ronaldo (Marat Descartes) onde trabalha Marcos (Gabriel Stauffer), o prédio de Helena (Thais Lago), tudo parece existir num limbo entre o real e o fantástico. É um mundo que exige boa vontade do espectador, mas que recompensa quem aceita entrar no jogo.
O problema é que o roteiro não acompanha toda essa força visual. Os diálogos são tão formais, tão carregados de frases longas e construções literárias, que soam deslocados da boca de personagens que vivem na rua, na noite, no improviso. No terço final, revelações, como Leander (Erom Cordeiro), surgem sem preparo, personagens mudam de comportamento sem justificativa, e algumas escolhas parecem existir apenas porque o gênero exige um conflito.
Ainda assim, há méritos importantes. O elenco se entrega e o filme tem coragem de assumir o horror: mordidas, lutas, sangue, presas à mostra desde o início. Nada de metáforas disfarçadas ou timidez estética.
No fim, “Love Kills” é uma obra que vale pela experimentação, pela atmosfera e pela tentativa de reinventar o vampiro brasileiro. Imperfeita, sim, mas cheia de personalidade — e isso, no horror, costuma valer mais do que a perfeição.
















