Resenha | Ghostland – O Parque Fantasma, de Duncan Ralston

Tenho quebrado a cabeça tentando lembrar de outro livro de terror ambientado num parque temático com fantasmas de verdade. Deve existir algum perdido por aí, mas se não existir, parabéns ao escritor Duncan Ralston — ele realizou o sonho de infância de qualquer fã do gênero: transformar um parque de diversões em um pesadelo corporativo com fantasmas, tecnologia e caos absoluto.

O livro publicado pela Skull Editora, “Ghostland – O Parque Fantasma” é um Frankenstein literário que mistura terror, ação, tecnologia e humor negro, tudo com ritmo de montanha-russa. Não é profundo, não é filosófico, mas é divertidíssimo, como um bom livro deve ser.

A ideia é simples: em 2019, cientistas anunciam que fantasmas são reais — comprovados, catalogados e, aparentemente, capturáveis. Não espere ver sua avó atravessando a rua com sacolas do mercado; o negócio aqui é mais técnico. O parque temático Ghostworld usa tecnologia de ponta para prender fantasmas em ciclos de alguns minutos, ativados por visitantes usando óculos de realidade virtual. É como se o “Jurassic Park” tivesse sido projetado por um engenheiro que cresceu assistindo “Poltergeist”. A variedade de fantasmas é absurda, exagerada e deliciosa. E, claro, conforme a história avança, o número de mortes aumenta como se fosse Black Friday no além.

O prólogo é excelente: em Duck Falls, Maryland, quatro anos antes da inauguração do parque, os amigos Lilian Roth e Ben Laramie, ambos com 14 anos, estão jogando “Infinite Zombie” quando uma casa velha passa na carroceria de um caminhão. Ben olha pela janela, vê uma figura fantasmagórica que reconhece e… tem um ataque cardíaco. Sim, aos 14. Esse fantasma não brinca em serviço.

Quatro anos depois, Ben e Lilian mal se falam. Ele virou o “Garoto Morto” da escola, ainda se recuperando da cirurgia cardíaca e tentando sobreviver à adolescência — que, convenhamos, já é difícil sem fantasmas assassinos. A amizade deles é um dos pontos fortes do livro: não domina a trama, mas dá aquele toque humano que equilibra o sobrenatural. Lilian, agora com 18 anos, não é mais a nerd de computador de antes — porque garotas crescem, evoluem e deixam os meninos para trás, sem olhar.

Ben é o avatar perfeito do fã de terror: nerd, apaixonado por um autor obscuro chamado Rex Garrote, que escreveu livros com títulos como “The House Feeds” e teve até um programa de TV trash nos anos 90 chamado “Ghost World”. Garrote morreu de forma misteriosa, e sua coleção pessoal de horrores virou a base do parque temático. E sim, o fantasma que Ben viu anos antes tem tudo a ver com isso.

Quando o parque finalmente abre, tudo dá errado mais rápido do que em “Jurassic Park”. Ralston reúne os antigos amigos e um grupo de sobreviventes improváveis para enfrentar uma falha catastrófica que transforma um fantasma específico em uma ameaça muito, muito real. E se você acha que isso é ruim, lembre-se: Ben tem problemas cardíacos.

Para quem conhece o autor, “Ghostland – O Parque Fantasma” é surpreendentemente menos grotesco do que seus outros trabalhos. É acessível, divertido e até tem potencial para agradar jovens adultos. Os gadgets tecnológicos são ótimos, e a forma como os personagens usam habilidades de videogame para sobreviver faz todo sentido. Eu, pessoalmente, morreria na primeira hora — embora meu passado glorioso no “Resident Evil” do PlayStation talvez me desse uns minutos extras de vida.

O espectro de Rex Garrote, apresentado como “o homem mais aterrorizante do mundo”, espreita nos servidores do parque, dando ao livro aquele clima de terror tecnológico misturado com trash dos anos 70. Você pode até se perguntar se Ralston se inspirou em algum autor real… mas é melhor não pensar muito nisso.

No geral, “Ghostland – O Parque Fantasma” não é assustador, mas é extremamente original, exagerado e deliciosamente inverossímil. É o tipo de livro que faz qualquer fã de terror pensar: “e se fantasmas fossem reais?” — e imediatamente se arrepender da ideia. É uma aventura empolgante, com ritmo excelente e um final que amarra tudo com estilo.

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