
Digger (2026), longa-metragem estadunidense de comédia dramática, distribuído pela Warner Bros, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 01 de outubro de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 129 minutos de duração.
Tom Cruise é um ator que o público gosta de ver ultrapassando limites. Isso vem de décadas interpretando heróis e azarões, então quando ele faz um vilão, o interesse aumenta. Sua atuação em “Magnólia” (1999) ainda é lembrada, e, agora, como Digger Rockwell, na ambiciona obra do diretor Alejandro González Iñárritu, deve gerar discussões por muito tempo.
Em “Digger”, Iñárritu retorna ao território metalinguístico de “Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância, 2014)”. Os trailers escondem o contexto, mas Cruise interpreta Digger Rockwell, um magnata do petróleo próximo ao presidente dos EUA (John Goodman). Ele vive cercado por capangas que o bajulam e por uma casa cheia de excentricidades. A situação é tão ridícula que ninguém tem coragem de avisá-lo que seu gato — um animal praticamente fossilizado — está morrendo e deveria ser sacrificado.
O filme funciona como um comentário sobre figuras poderosas que destroem o planeta enquanto facilitam a vida das pessoas. O petróleo de Digger alimenta tudo — nossas casas, carros, smartphones —, então ele é tolerado. Mas sempre chega o acerto de contas, e quando uma catástrofe ameaça o planeta inteiro, Digger é encarregado de resolver o problema.
Só que, encarregado dessa tarefa monumental, Digger não vira herói. Ele fica ainda mais arrogante e desafiador. Cruise, irreconhecível com cabelos grisalhos, corpo enrugado e um sorriso sarcástico nunca antes visto, incorpora essa agressividade antagônica com perfeição. Ele provoca o público, seus cientistas (Riz Ahmed) e sua própria família. Sandra Hüller interpreta a meia‑irmã mais nova de Digger, que dirige uma empresa que faz exatamente o oposto do que ele faz — conflito garantido.
O filme cresce (com a atuação de Cruise) e depois desaba (com a escolha narrativa de Iñárritu). Se Cruise for indicado ao Oscar, a cena decisiva será uma sequência em que Digger humilha a União Europeia em um espetáculo absurdo. A plateia participa como se fosse um show. Mas, devido à escolha narrativa de Iñárritu, adicionando uma camada metaficcional, o filme desmorona ao nos distanciar da história do magnata e de sua provação — que já era envolvente por si só.
Iñárritu aposta alto e traz a equipe técnica certa. A cinematografia de Emmanuel Lubezki é deslumbrante, com mudanças constantes na proporção da tela. O design de produção alterna entre desolação apocalíptica e um estilo lúdico, condizente com o tom peculiar do filme.
Sua experiência com “Digger” vai depender do quanto você aceita a reviravolta central. Para muitos funcionou, para outros nem tando. Ainda assim, deve-se reconhecer a ousadia do filme — e não me surpreenderia se Iñárritu e Cruise fossem aclamados futuramente.












