
Supergirl (Supergirl – Woman Of Tomorrow, 2026), longa-metragem estadunidense de ação e aventura, distribuído pela Warner Bros, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 25 de junho de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 111 minutos de duração.
Tenho plena consciência de que estou na minoria — quase uma ilha deserta — mas nunca comprei muito a ideia de James Gunn de desmontar o universo DC inteiro e montar outro do zero, como se fosse um móvel das Casas Bahia. Quando “Superman” chegou aos cinemas em 2025, eu já estava com um pé atrás. Mas aí Milly Alcock apareceu no final do filme, brilhando por cinco minutos, e eu pensei: “Ok, talvez isso funcione. Talvez haja esperança. Talvez eu esteja sendo dramático.”
Ela parecia ter exatamente o tom que faltava: divertida, com uma história de fundo forte o suficiente para sustentar um filme solo sem precisar carregar o peso de toda a bagunça do universo anterior. E com Gunn produzindo e Craig Gillespie dirigindo, imaginei que um pouco de contenção poderia finalmente colocar o foco na protagonista. Pois é. Infelizmente, muitos dos mesmos problemas voltaram para dar oi.
Reencontramos Kara Zor‑El (Alcock) exatamente onde a deixamos: bêbada, descontrolada e festeira em planetas com sóis vermelhos — porque é mais fácil curtir a vida quando seus poderes não atrapalham a farra. Essa rotina de “Supergirl em férias permanentes” acaba quando Ruthye (Eve Ridley), sobrevivente de uma tragédia familiar causada pelo maníaco Krem (Matthias Schoenaerts), pede ajuda para encontrá-lo. Kara hesita, mas quando Krypto quase vira estatística, ela aceita a missão. Talvez, nessa jornada, ela descubra o verdadeiro significado de ser uma heroína. Talvez. Não aposte muito.
Agora, os pontos positivos — sim, eles existem. Milly Alcock funciona como Supergirl (independente do questionamento sobre sua beleza), exatamente como Corenswet funciona como Superman. A personalidade dela é o oposto da dele: mais cínica, mais dura, mais traumatizada. E faz sentido. Ela viu Krypton explodir. Ele não. Ela carrega cicatrizes reais. Ele carrega nostalgia. E, por baixo da casca grossa, existe um coração que justifica o brasão no peito, especialmente quando se trata de Krypto. Os flashbacks são ótimos: sua adaptação à Terra, o contraste entre o destino sombrio que deveria ter tido e a vida pacífica que seus pais queriam para ela. Tudo isso funciona.
Mas aí chegamos ao problema: existe claramente um filme muito melhor escondido dentro deste filme. Esqueçam as comparações com “Mad Max” (1979) ou “Bravura Indômita” (1969). A trama é tão plana que parece que estamos assistindo ao prólogo do que realmente gostaríamos de ver. A dinâmica entre Kara e Ruthye começa promissora, mas rapidamente vira uma dupla improvável que não funciona. E, como amante de cães, é um mau sinal que nem o enredo envolvendo Krypto tenha me emocionado o suficiente.
O vilão? Bom… eu precisei reler a HQ que originou esta obra, além de pesquisar seu nome para escrever este texto. Ele é tão genérico que poderia ser substituído por um manequim com uma placa “vilão” pendurada no pescoço. E isso é triste, porque até Lex Luthor, no filme do Superman, tinha personalidade.
Jason Momoa como Lobo é uma escolha excelente. Quem não acompanha a DC vai ficar confuso sobre por que ele não é mais o Aquaman, mas honestamente ele combina muito mais com Lobo. Só que ele não salva o filme. Ele aparece, bate em uns caras, faz pose, some, volta, bate em mais uns caras… e nada disso muda a história. É basicamente um DLC de jogo opcional.
O ato final é uma mistura de socos, explosões e vilões reciclados sendo arremessados para todos os lados. Eu me peguei pensando em outra coisa no meio da batalha, porque tudo vira um borrão indistinguível. A única coisa que me ajudou foi o uniforme azul vibrante da Supergirl — sem ele, eu não saberia quem estava batendo em quem.
Olha, não é o desastre que foi “Esquadrão Suicida 2” (2021). Nem chega perto. Mas, em alguns aspectos, é pior, porque cai naquela categoria “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu” (2026): nunca é ruim o suficiente para eu odiar, mas também nunca é bom o suficiente para eu gostar. É o tipo de filme que não desperta emoção nenhuma — e isso, para mim, é a verdadeira kriptonita.
Eu sempre entro nesses filmes torcendo para que funcionem, porque gosto dos personagens e acho que eles merecem brilhar. Mas, até agora, esse brilho tem sido verde — e não no bom sentido. Quem sabe na terceira tentativa? Quem sabe no ano que vem?











