
Invasão à Venezuela (Long Gone Heroes, 2024), longa-metragem estadunidense de ação, estreia, oficialmente, no streaming Adrenalina Pura+, a partir de 02 de abril de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 111 minutos de duração, dirigido por John Swab.
Filmes de ação de baixo orçamento são sempre uma roleta russa: às vezes mal dá para entender o que está acontecendo, às vezes eles surpreendem de maneira inesperada. “Invasão à Venezuela” não chega a ser “divertido” — o tema não permite — mas é surpreendentemente empolgante na execução.
Acompanhamos Gunner (Frank Grillo) e seu grupo de mercenários numa missão para resgatar a filha sequestrada de uma senadora americana (sua ex-cunhada). Claro que o plano desanda quando a refém se recusa a ir embora sem salvar as outras vítimas. É a história mais básica possível, com todos os clichês alinhados, mas pelo menos é bem conduzida. Nada de apresentações caricatas com trilhas musicais “temáticas” para cada personagem; aqui, eles simplesmente aparecem quando são necessários.
Frank Grillo consolidou seu nicho como protagonista de ação independente, e esse filme deixa claro que ele está pronto para uma franquia maior, só falta alguém dar essa chance. Gunner é o típico herói de ação clássico: sempre no controle, sempre imperturbável, sempre pronto para resolver tudo com eficiência militar. Josh Hutcherson, por sua vez, continua sua fase de “secundário de ação competente”: começa como especialista em tecnologia, mas logo mostra que também sabe atirar.
Como manda o figurino dos filmes independentes, alguns nomes do pôster mal aparecem. Melissa Leo surge como a senadora desesperada, mas só no início e no fim. Andy Garcia, como o vilão Roman, é tão subutilizado que chega a ser ofensivo — ele entrega um vilão clássico, daqueles que poderiam elevar o filme, mas o roteiro o deixa preso em meia dúzia de cenas. Mekhi Phifer também aparece rapidamente como o psicopata Moreau, cumprindo a função de “ameaça pontual”. Apesar disso, o filme ao menos tenta manter esses personagens presentes na narrativa, evitando o clássico problema dos independentes: o ator que claramente gravou tudo em um único dia e desapareceu.
A ação é quase toda filmada diretamente na câmera, com algumas gotas de sangue digital que incomodam, mas não arruinam. Explosões reais, dublês em chamas, efeitos práticos onde outros filmes recorreriam ao CGI — tudo isso ajuda o filme a se destacar no mar de produções genéricas. O problema é que a ação raramente evolui: é tiro, corte, tiro, corte, próxima cena. Funciona, mas cansa.
Esta é a quinta colaboração entre John Swab e Grillo, e fica claro que eles gostam de brincar juntos no playground da ação independente. A execução é sólida, mas a história é genérica e, em alguns momentos, dispersa. O filme poderia facilmente perder uns bons minutos sem prejuízo. Por outro lado, essa “divagação” dá espaço para que personagens secundários ganhem vida — Beau Knapp e George Carroll, por exemplo, têm interações que realmente ajudam a construir o mundo desses mercenários.
No fim das contas, “Invasão à Venezuela” é um filme simples, previsível e, ainda assim, satisfatório. A ação não é exagerada, mas o realismo e o uso de efeitos práticos ajudam a dar personalidade ao projeto. Mesmo com a trama genérica, acompanhar esse grupo de mercenários vale a pena.
















