Amor Apocalipse (por Peter P. Douglas)

Amor Apocalipse (Peak Everything AKA Amour Apocalypse, 2025), longa-metragem canadense de romance dramático, distribuído pela Synapse Distribution, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 11 de junho de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 100 minutos de duração.

Adam (Patrick Hivon), aos 45 anos, deveria ser o homem mais feliz do planeta: vive cercado de cães, recebendo o afeto incondicional deles o dia inteiro, afinal administra um canil que parece um paraíso emocional. Mas não — ele sofre de solastalgia, aquela ansiedade profunda sobre o colapso climático que transforma qualquer previsão do tempo em gatilho existencial. Para ele, o mundo está desmoronando e não há alternativa.

A premissa é tão peculiar que parece saída de um laboratório de roteiristas indie: um homem deprimido (sem nenhum apoio familiar e com uma assistente que faz o que quer) compra uma lâmpada solar para tentar se animar, mas nem remédios nem luz artificial resolvem. Ele liga para o número da caixa e acaba conversando com Tina (Piper Perabo), a técnica que atende em inglês e que, por algum motivo, vira sua razão de viver. Conversas sobre o fim do mundo se transformam em flerte, e o romance nasce como se fosse a última esperança contra o ecocídio.

O elenco é bom e a diretora Anne Émond dirige tudo com aquela estética que Hollywood adorava no fim dos anos 2000: humor excêntrico, fantasia leve, narração séria, planos longos e uma alternância entre francês e inglês que tenta ampliar o apelo do filme. É uma comédia romântica apocalíptica que se recusa a escolher entre o absurdo e o sentimental — ainda que, por diversas vezes, não consiga equilibrar os dois.

No fim das contas, “Amor Apocalipse” abraça a ideia de que talvez não haja nada que possamos fazer para impedir o colapso ambiental. Mas ainda podemos amar, ser gentis e encontrar algum sentido enquanto tudo desmorona. É um filme que diz, sem pudor, que o amor é a última barricada contra o fim do mundo — e que, quando tudo estiver acabando, talvez seja isso que reste.

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