
Chopin – Uma Sonata em Paris (Chopin, Chopin!, 2025), longa-metragem biográfico polonês, distribuído pela Synapse Distribution, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 04 de junho de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 113 minutos de duração.
O brilho eterno de Frédéric Chopin (1810–1849) volta às telas em “Chopin, Uma Sonata em Paris”, um filme que tenta reacender o mito do compositor polonês com uma roupagem moderna — e consegue… às vezes. Dirigido, produzido e escrito por Michal Kwiecinski, o longa se concentra no período parisiense do músico, quando ele já era famoso e vivia como uma espécie de influencer romântico do século XIX.
A abertura é um espetáculo. Chopin (Eryk Kulm) sai correndo pelas ruas ao som de uma trilha sonora pulsante, enquanto pessoas gritam “Chopin, Chopin!” como se ele fosse uma boyband inteira condensada em um único pianista. Ele sorri, lisonjeado, mas claramente já pensando em outra coisa — no caso, um duelo de pianos. Sim, duelos de pianos. Improvisação, plateia enlouquecida, 500 francos prometidos. Chopin está nervoso, Liszt (Victor Meutelet) está competitivo, e nós estamos encantados.
Encontramos Chopin no auge: famoso, querido, requisitado, com dois mil amigos em Paris (segundo ele mesmo, que claramente não conheceu o Facebook). Ele dá aulas, toca em festas, frequenta a corte, come sorvete de limão e anda rápido — porque artista sensível não caminha, flutua. A vida é boa… até que não é. Aos trinta anos, vem o diagnóstico: tuberculose. E o filme mergulha numa atmosfera sombria, melancólica, cheia de sombras, velas e olhares trágicos.
Apesar disso, Eryk Kulm injeta humor e charme suficientes para impedir que o filme vire um velório de quase duas horas. Ele é magnético, espirituoso e consegue equilibrar o drama com leveza — o que é mais do que posso dizer do roteiro.
Porque aí começam os problemas. O filme tem ideias ótimas, mas não sabe o que fazer com elas. Os personagens entram e saem como figurantes de festa temática. A família de Chopin aparece, praticamente, só para dizer “olá” e desaparecer para sempre. Conflitos surgem, piscam e evaporam. A obra parece querer ser tudo ao mesmo tempo: biografia, romance, drama existencial, comédia melancólica, estudo psicológico… e acaba não sendo nada de forma consistente.
O ritmo é lento — às vezes tão lento que você quase escuta o piano pedindo para acelerar. O elenco de apoio é competente, mas esquecível. E a sensação final é de que faltou uma ideia central forte, algo que amarrasse tudo. Kwiecinski brinca com tropos interessantes, mas sempre recua antes de ousar de verdade, voltando para o terreno seguro da biografia tradicional.
O ponto mais brilhante, sem dúvida, é o protagonista. Ele carrega o filme nas costas com a mesma delicadeza com que Chopin carregava suas melodias. Para o público polonês e para fãs de música clássica, o filme deve funcionar bem. Para os demais, pode ser uma experiência bonita, mas não necessariamente envolvente.
















