Wormtown (por Peter P. Douglas)

“Wormtown” (2025) marca a estreia do luso-americano Sergio Pinheiro na direção de longas. A história se passa em Ashland, num futuro tão próximo que talvez seja amanhã — ou ontem, dependendo de quando os vermes resolverem atualizar o calendário.

Tudo começa quando o prefeito Joshua (Jim Azelvandre) vai fazer um exame de vista. O optometrista abre o consultório à noite porque o prefeito está sensível à luz… e porque aparentemente ninguém mais na cidade trabalha de dia. Durante o exame, o médico encontra vermes dentro do olho. A partir daí, você já sabe que nada de bom vem pela frente.

A cidade inteira está infectada. O prefeito apresenta um programa de rádio — o único sinal disponível — tocando country suave e descrevendo Ashland como se fosse um paraíso bucólico, enquanto todo mundo dorme de dia, vive de noite e evita tecnologia moderna porque Bluetooth frita os vermes. Sim, até os parasitas têm suas limitações técnicas.

Os infectados desenvolvem lesões, comportamento de culto e uma coleção de vermes internos digna de um zoológico parasitário. O mais importante é o verme do coração, um bicho enorme que se enrola no órgão e bebe sangue como se fosse energético. Há também vermes cerebrais que controlam o comportamento do hospedeiro.

Nossas protagonistas são três mulheres não infectadas que vivem num armazém e tentam resolver a situação: Kara (Rachel Ryu), que desiludida, odeia tudo e todos; E o casal lésbico formado por Jess (Caitlin McWethy) e Rose (Emily Soppe), esta última a cientista do grupo, que dava aula de ciências no ensino médio e agora faz autópsias improvisadas em cadáveres cheios de minhocas.

Há também uma comunidade Amish que vive ali perto e é deixada em paz — aparentemente, os vermes respeitam quem vive sem eletricidade. E porque precisam de frutas e legumes plantados e arados durante o dia.

O filme se desenvolve quando, algumas crianças são pegas pelo sol, e uma delas, Tommy (Milo McDonald), começa a sangrar e se encher de vermes até morrer. É tipo vampiro ao sol, só que com mais textura. Jess encontra o corpo, filma o verme cardíaco (porque conteúdo é tudo), e cai em cima do cadáver quando Alice (Maggie Lou Rader), a mãe grita. O povo-verme interpreta isso como profanação. Porque claro que interpretam.

Conforme o filme avança, descobrimos que o prefeito Joshua está… digamos… se desfazendo. Literalmente. A carne dele está aberta, viva, e ele explica que todos os infectados eventualmente terão mais verme do que carne. É o tipo de discurso motivacional que ninguém pediu.

Ele também esconde a verdade sobre o resto do mundo, tem “Fazendeiros” que funcionam como polícia e que conseguem andar no sol com roupas especiais. Descobrimos ainda que os não infectados têm cheiro ruim para os infectados — tipo repelente humano — e que a visão dos vermes transforma a noite em dia.

Os clichês vampíricos são óbvios, mas funcionam. Os efeitos práticos são muito bons, especialmente considerando o orçamento que claramente foi gasto em minhocas de borracha e sangue falso. A história às vezes se perde, e o tema do culto poderia ter sido mais explorado, mas no geral é uma experiência divertida — especialmente se você gosta de terror biológico e não tem problema com criaturas gosmentas. É um filme um pouco longo, mas vale a pena conferir. Só não assista enquanto come macarrão.

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