
A Fortuna de Escobar (Escobank, 2025), longa-metragem israelense de ação e aventura, estreia, oficialmente, no canal por assinatura Adrenalina Pura+, a partir de 02 de julho de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 97 minutos de duração.
Escrito e dirigido pela cineasta israelense Orit Sher Liba em sua estreia na direção de longas-metragens, o filme parece se deleitar em sua mistura caótica de absurdos, plot-twists e no charme de baixo orçamento. A trama se passa na Colômbia, mas as filmagens aconteceram em Miami e na Guatemala.
Sintam o cheiro de exagero já existente na premissa: Pablo Escobar enterrou 200 milhões, matou uma vila inteira e deixou um único sobrevivente que, convenientemente, virou “pai” de uma advogada misteriosa. Trinta e cinco anos depois, um criminoso de Miami decide caçar esse homem como se estivesse numa temporada de “Narcos” dirigida por alguém que só viu os trailers. A partir daí, tudo vira uma corrida pela selva com personagens que parecem ter sido escritos em guardanapos diferentes e depois colados no mesmo roteiro.
No passado, Pablo Escobar contratou o Comandante Eric Ross (Yariv Peled), um ex-soldado de elite israelense, para treinar civis e torná-los soldados do cartel. Em 1992, fugindo da Interpol, Escobar enterrou 200 milhões de dólares na vila de San Perdido. Para que a localização nunca fosse revelada, ele ordenou a execução de todos os moradores que ajudaram a cavar o poço.
Com a morte de Escobar, seu império desmoronou. Eric Ross conseguiu fugir para os Estados Unidos com sua “filha” Sandy (Dana Frider), tornando-se a única pessoa viva a conhecer o paradeiro exato do dinheiro.
Trinta e cinco anos depois, um poderoso criminoso de Miami chamado Avi Haddad (Zohar Liba) descobre o passado de Eric – ao cumprir pena com ele – e decide caçá-lo. Antes de ser pego, Eric liga para sua “filha” Sandy (agora advogada) e revela a existência de dois mapas: um falso, escondido em uma pintura, e o verdadeiro. Eric é torturado e morto após revelar apenas a localização do mapa falso.
Para se aproximar do quadro com o mapa, Avi contrata Sandy como sua advogada pessoal. Ele rouba o mapa falso sem saber que Sandy já descobriu que ele foi o responsável pela morte de seu “pai”.
Sandy aceita viajar com Avi para a Colômbia, vendo a viagem como a oportunidade perfeita de se vingar e conseguir o dinheiro, ciente de que o mapa falso que Avi possui leva a um campo minado mortal.
Ao chegarem à Colômbia, a equipe se junta a Izik (Guy Adler) – irmão de Avi -, soldados locais e um rabino – antigo conhecido de Avi. Eles passam a ser caçados pelo Coronel Calderon (Rodrigo Poisón), um oficial militar corrupto que quer o dinheiro para si e recusa qualquer suborno. No meio da selva, Sandy reencontra Santiago (Harlys Becerra), alguém que conheceu na infância e que agora foi contratado para ser o rastreador do grupo.
Próximos ao destino final, Sandy finge estar doente para ficar para trás com Santiago e Izik. Sandy e Santiago eliminam Izik e usam o mapa verdadeiro para recuperar os 200 milhões de dólares.
Enquanto isso, Avi e o restante do grupo chegam à localização do mapa falso e são encurralados pelas forças do Coronel Calderon. Percebendo que caiu em uma armadilha, Avi aciona propositalmente uma das minas terrestres, explodindo todo o local e matando tudo ao redor.
Sandy e Santiago dividem parte do dinheiro com os moradores de San Perdido como reparação histórica pelo que Escobar fez. Uma quantia é enviada ao rabino, que decide queimá-la por considerar que havia sangue demais envolvido naquela fortuna.
Avi Haddad, o “Príncipe do Crime”, é tão caricato que parece ter sido criado por um algoritmo treinado exclusivamente em filmes de ação do século passado. Ele é cruel, impulsivo, teatral — e completamente incapaz de perceber que a mulher que ele contratou como advogada está claramente planejando sua ruína desde o primeiro minuto. A relação entre Avi e Sandy é vendida como tensão psicológica, mas funciona mais como um lembrete de que confiar em alguém nesse filme é sempre a pior decisão possível.
Aliás, confiança é o tema que o filme insiste em empurrar como se fosse uma revelação filosófica inédita. “A traição só existe onde antes houve confiança.” Obrigado, “A Fortuna de Escobar”, por reinventar o óbvio. O longa tenta transformar essa frase em lição de vida, mas ela soa mais como desculpa para justificar o festival de facadas nas costas que acontece do início ao fim.
A selva, que deveria ser personagem, vira cenário de parque temático. Campo minado, coronel corrupto, rabino incendiando dinheiro, rastreador de infância, irmão traidor — tudo aparece, nada se aprofunda. É como se o filme tivesse uma lista de elementos obrigatórios de thriller e estivesse determinado a usar todos, mesmo que não façam sentido juntos. Nada precisa de lógica, apenas de intensidade.
Se “A Fortuna de Escobar” revela algum segredo, é este: com orçamento baixo, roteiro caótico e personagens que mudam de motivação a cada cena, ainda é possível fazer um filme que entretém — desde que o espectador desligue qualquer expectativa de coerência.
















