O Grande Dragão Branco 1, 1988 (por Peter P. Douglas)

“O Grande Dragão Branco” (Bloodsport, 1988) é um longa-metragem biográfico baseado nos feitos “reais” (viram as aspas né?) de Frank Dux — feitos que, ao longo dos anos, foram ficando tão questionáveis que hoje parecem mais lenda urbana do que história. Mas isso não importa nem um pouco, porque o filme é, indiscutivelmente, o mais influente das artes marciais dos anos 80 e responsável por inspirar gerações inteiras de jovens que acreditaram que também poderiam chutar tijolos com a canela.

Frank Dux (Jean-Claude Van Damme) é acolhido por Senzo Tanaka (Roy Chiao) depois de invadir sua casa para roubar uma katana — porque nada diz “material para aprendiz promissor” como um adolescente cometendo furto. Tanaka decide ensinar ninjutsu ao garoto e tratá-lo como filho. Quando o verdadeiro filho, Shingo (Sean Ward), morre em um kumite clandestino, Dux desenvolve uma obsessão por participar do evento para “honrar seu shidoshi”.

Ele viaja para Hong Kong para lutar, o que desperta o coração de uma jovem jornalista e a atenção de dois agentes do governo americano que passam o filme inteiro tentando capturá-lo. É, sem exagero, uma das subtramas mais inúteis da história do cinema. Mas ela insinua que Frank Dux é uma arma humana, além de trazer um jovem Forest Whitaker no elenco — então, de alguma forma, acaba sendo meio incrível.

Nunca escrevi, produzi ou dirigi um filme, mas já pensei bastante em como isso funciona. Imagino que o primeiro passo seja identificar o público-alvo e descobrir o que ele quer ver. Depois, você trabalha de trás para frente para criar uma história que entregue exatamente isso. Se essa lógica estiver certa, “O Grande Dragão Branco 1” pode ser o filme mais eficiente já feito. Ele sabe exatamente o que é, para quem é e entrega tudo com confiança absoluta.

No final dos anos 80 e início dos 90, Van Damme era praticamente o rei da ação. A opinião sobre ele varia conforme o gosto por chutes giratórios, mas o fato é que ele garantia bilheteria. Esse filme é o auge dessa fase, continuando atual em pleno 2026 graças às lutas extremamente divertidas e fáceis de acompanhar, à história simples e eficaz, à trilha sonora cativante e ao clichê maravilhoso de “lutadores do mundo todo se encontram em um local secreto para lutar até a morte”.

Não estou dizendo que o Kumite seja real — mas o Kumite de “O Grande Dragão Branco 1” é filmado de um jeito que parece quase um documentário, não apenas uma sequência de pancadaria. Não é alta arte (e nem tenta ser), mas a batalha final entre Frank Dux e Chong Li está no mesmo nível de Rocky vs. Drago e Kenobi vs. Vader. É cinema puro, sem frescura!

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