
Trazendo conteúdo histórico em seu livro ficcional, “Quando Caem as Cinzas”, o autor e psiquiatra paraense Carlos Augusto Galvão, entrega uma viagem pelo período da ditadura brasileira. O protagonista é Benedito, que logo nas primeiras páginas se torna órfão após um incêndio suspeito. Ele é acolhido pela Madre Liganó, mas a verdade sobre a sua origem muda o rumo de sua vida ainda na infância.
Apesar disso, ele supera essa fase difícil, cresce, cursa Medicina na Universidade do Pará, torna-se médico e segue a sua trajetória em uma narrativa cheia de detalhes e de pessoas importantes que o apoiam ao longo do caminho. Tudo evolui bem até que, no meio da obra, no capítulo que inclusive dá nome ao livro, “Quando Caem as Cinzas”, um plot twist — se é que a gente pode chamar assim — leva a história para outro cenário, escancarando as turbulências políticas da ditadura militar, mas sob o olhar de quem vivia no norte do Brasil.
O sofrimento da tortura é universal, mas observar como uma comunidade amazônica enfrenta esse contexto chama muito a atenção. Outro ponto são os cenários: Castanhal, Marabá, Belém. O bom de ler autores nacionais é justamente porque, além de boas histórias, se aprende muito sobre outras culturas.
Fiquem tranquilos, o desfecho é feliz. Lembrem-se: se é o próprio Benedito quem narra a história, é porque ele sobreviveu. Só fica o aviso de que, para muitos, irá se tratar de uma leitura que precisarão fazer com calma, já que certas passagens podem ser consideradas mais pesadas ou despertar gatilhos.
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