Colony, 2026 (por Peter P. Douglas)

Zona Zero (Colony, 2026), longa-metragem sul-coreano de terror, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 01 de outubro de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 122 minutos de duração.

O diretor Yeon Sang Ho, a mente por trás de “Invasão Zumbi” (Train to Busan, 2016), está de volta com outro filme de zumbis. No momento em que ouvi falar sobre “Zona Zero”, já fiquei empolgado — expectativas lá no alto. Eu amo “Invasão Zumbi”. Já sua sequência “Invasão Zumbi: Península” (Train to Busan: Peninsula, 2020)… bom, digamos que, até hoje, ainda não superei aquela decepção.

“Zona Zero” apresenta um tipo de zumbi completamente diferente. Sim, ainda há mordidas e transformações, mas a ideia de que os zumbis podem trocar informações e ser controlados coletivamente os torna muito mais aterrorizantes. O filme explica que o comportamento deles se assemelha ao das colônias de formigas, que se comunicam por feromônios. E, ao longo da história, descobrimos que quando o “controlador” morre, os outros simplesmente param de funcionar direito. Só esse conceito já faz os zumbis parecerem mais inteligentes e perigosos do que os tradicionais comedores de carne.

O que torna tudo ainda mais interessante é a capacidade desses zumbis de imitar vozes, ler mensagens e até digitar em computadores. Em alguns momentos, eu fiquei incrédulo, mas, ao mesmo tempo, realmente impressionado com a ideia.

Outro detalhe fascinante: dançarinos profissionais, atores e dublês foram reunidos para criar os movimentos dos zumbis. E isso fica evidente. Os zumbis se movem de maneiras estranhas, desconfortáveis, contorcidas — completamente diferentes dos zumbis comuns.

Posso afirmar com segurança que “Zona Zero” não está no mesmo nível de “Invasão Zumbi” , mas é muito melhor que Península”. E aqui está o problema central: o diretor prioriza o conceito, a biologia, a inteligência coletiva e a mecânica da colônia, mas deixa os personagens em segundo plano.

“Invasão Zumbi” funcionou porque equilibrava ação e emoção. Já “Zona Zero” tem vários momentos que poderiam ter sido emocionalmente devastadores, mas nunca chegam lá. Tive dificuldade em me conectar com a maioria dos personagens.

A relação entre os irmãos Ji Chang Wook e Kim Shin Rock tinha potencial para ser o arrasa corações do filme, mas a recompensa emocional ficou incompleta. Não partiu meu coração — só senti um “ai”. Como se o filme tivesse chegado perto de algo incrível, mas não alcançado totalmente.

Apesar de seus pontos negativos, “Zona Zero” é um filme que vale a ida ao cinema quando estrear — especialmente para quem gosta de ver o gênero sendo empurrado para territórios mais estranhos. Não é a obra-prima que o diretor já provou ser capaz de fazer, mas é um retorno digno, cheio de invenção, com zumbis que finalmente parecem tão perigosos quanto deveriam ser.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *