
Medley (2025), longa-metragem nacional dramático, distribuído pela Vitrine Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 29 de outubro de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 98 minutos de duração.
Dirigido por Ana Luíza Azevedo e adaptado do livro homônimo de Keka Reis, que também assina o roteiro, “Medley” nos apresenta Lola (Mel Maia), uma menina de 16 anos solitária, marcada pela ausência misteriosa do pai. A relação com a mãe é difícil e, depois de uma briga, Lola vai passar as férias sozinha, na casa do tio, em uma cidade afastada. Lá, ela se apaixona, faz novos amigos e entra para o combalido time de natação da cidade. E toda vez que entra na água, novas emoções puxam memórias do passado. Às vésperas de um campeonato importante, Lola precisa enfrentar medos e traumas que nunca imaginou — incluindo a verdade sobre seu pai.
Lola está numa trajetória ascendente para se tornar uma nadadora imbatível. Ganha tudo, menos no nado borboleta. Algo a bloqueia, e ela não sabe o quê. A mãe ausente, atolada de trabalho, evita falar sobre o pai — uma figura muito presente na infância, mas que deixou para trás um rastro de interrogações quando desapareceu. No sítio do tio, encontra vestígios da juventude dos pais e pistas sobre respostas que procurou por muito tempo.
A metáfora da natação funciona muito bem: não é só mergulhar. É profundidade, retorno à superfície, fôlego, foco, concentração. Tudo o que o rito de passagem para a vida adulta exige — e que a juventude, assustada e apressada, raramente entende.
Ambientado nos anos 1990 no interior fluminense, o filme usa o passado não como nostalgia barata, mas como território nebuloso onde relações familiares e amadurecimento exigem respostas — não mais silêncio.
Mel Maia tem presença e entrega uma atuação mais profunda, contudo, os demais personagens têm pouco desenvolvimento. Dá para dizer que todos eles, de alguma forma, ficam subaproveitados, o que prejudica o material e o trabalho do restante do elenco. Já a trama romântica é mais cuidadosa, e introduzida com naturalidade.
No geral, “Medley” é uma narrativa leve, com humor pontual, e acessível. O “suspense” gerado pela busca de Lola por respostas sobre o pai estrutura o filme, que vale a pena assistir, mesmo que o roteiro não aprofunde todos os elementos que apresenta.











