
Cavalcanti (2026), longa-metragem nacional documental, produzido pela Animal Filmes, estreou, oficialmente, na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, com classificação indicativa 14 anos e 100 minutos de duração, dirigido por Jairo Neto e Graubi Garcia.
O documentário acompanha o cineasta Alberto Cavalcanti (Rio de Janeiro, 1897 – Paris, 1982) narrando sua própria trajetória. Entre os anos de 1920 e 1940, viaja o mundo trabalhando em vários países, colaborando com nomes como Jean Renoir e construindo carreira consistente fora do Brasil. Depois, nos anos de 1950, retorna ao país com a intenção de desenvolver um cinema com identidade nacional. Encontra barreiras, não consegue executar o plano e também enfrenta dificuldades pessoais, incluindo questões ligadas à sua homossexualidade. O que o faz retornar a Europa, de onde nunca mais saiu.
A obra começa mostrando Cavalcanti sentado em uma praça no Brasil enquanto pessoas são perguntadas se sabem quem ele é. Quase ninguém sabe. Isso estabelece o ponto central: um cineasta importante, mas desconhecido pelo público geral brasileiro. O documentário funciona como aproximação ao trabalho dele.
A produção escolhe focar dois períodos específicos da vida do diretor. Não tenta cobrir tudo. A vida pessoal aparece pouco. O foco é a carreira, dividida entre o tempo no exterior e o retorno ao Brasil. A linguagem também foge do formato tradicional. Não há depoimentos de familiares, colegas ou cineastas atuais.
A obra é construída apenas com imagens de arquivo: trechos de filmes, entrevistas antigas e registros do próprio Cavalcanti. E é impressionante ver como, apesar da ausência de um guia ou de entrevistas atuais, o estilo definido pelos diretores ficou fluído e acima da média.
O material de arquivo é amplo e sustenta o documentário. Quem já conhece Cavalcanti encontra conteúdo relevante. Quem não conhece tem acesso a uma parte da história do cinema brasileiro que raramente é lembrada. É, sem sombra de dúvidas, uma obra que cumpre a função de apresentar o diretor ao público que nunca ouviu falar dele.







