Sobrenatural: Agora Entre Nós (por Casal Doug Kelly)

Sobrenatural – Agora Entre Nós (Insidious – Out of the Further, 2026), longa-metragem estadunidense de terror, distribuído pela Sony Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 20 de agosto de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 106 minutos de duração.

A franquia “Sobrenatural” (Insidious) sempre foi mais confiável do que o público admite. Nada supera os dois primeiros filmes dirigidos por Wan e Whannell, mas a série mantém uma constância: sempre entrega fantasmas que funcionam. Neste novo capítulo, Jacob Chase assume o comando e segue a fórmula clássica, mesmo que já esteja desgastada. O roteiro, carregado de sentimentalismo, é genérico, mas ainda produz sustos suficientes para manter o público tenso.

Nesta sexta parte, os Lamberts ficam para trás e o foco passa para Gemma (Amelia Eve), uma mãe que herda um dom — ou maldição. Ela é uma “Mensageira”, capaz de transportar objetos entre o Além. Isso a coloca na mira de Cyrus (Sam Spruell), líder de culto e demônio que quer escapar de seu aprisionamento astral. Gemma precisa proteger a filha, Maya (Island Austin), e impedir que Cyrus ou seus seguidores atravessem para o mundo real. Elise Rainier (Lin Shaye) retorna para ajudar, acompanhada da médium Clare (Maisie Richardson‑Sellers) e do policial Nick (Brandon Perea).

A tensão funciona, especialmente com a ameaça de uma “contenção rompida” que poderia desencadear algo próximo de um apocalipse zumbi. Chase amplia a escala do perigo (e porque não, do universo do Além), de forma ambiciosa, sem abandonar o terror íntimo que cerca Gemma e Maya. A casa onde a mãe de Gemma se suicidou vira palco de assombrações que ecoam traumas antigos.

Mas mesmo assim, o filme não alcança o impacto de seus antecessores originais. Wan e Whannell eram implacáveis ao explorar o vazio nebuloso do Além. Chase não chega ao mesmo nível. Os demônios aparecem de forma mais suavizada, incluindo figuras clássicas como o Demônio com Rosto de Batom e Parker Crane. Cyrus, com seu jeito tagarela, parece mais humano do que deveria, diminuindo o apelo macabro.

As atuações são sólidas, mas a trama de terror hereditário de Gemma é fraca. A franquia sempre lidou com luto, trauma e devoção familiar, mas aqui tudo soa previsível, seguindo o caminho mais linear possível.

O humor inesperado funciona. Lin Shaye solta frases dignas de protagonistas de ação, e Clare tatua em frutas imagens transmitidas do Além como se fosse algo cotidiano. Há até uma cena cômica envolvendo um casal idoso no Além. Não é um terrir, mas tem seus momentos.

Em geral, “Sobrenatural – Agora Entre Nós” não é o ápice da franquia, mas mantém o padrão. Chase entrega um filme que respeita o legado, arrisca onde pode e acerta o suficiente para justificar sua presença na série. O terceiro ato é confuso, mas o conjunto da obra é competente, feito para quem gosta de terror e não exige reinvenção.

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