Resident Evil, 2026 (por Peter P. Douglas)

Resident Evil (2026), longa-metragem estadunidense de terror, distribuído pela Sony Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 17 de setembro de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 90 minutos de duração.

O novo filme de “Resident Evil” segue um caminho diferente do esperado por muitos fãs da franquia de jogos homônima. O diretor Zach Cregger, conhecido por “Noites Brutais” (2022) e “A Hora do Mal” (2025), não quis adaptar Leon, Claire, Chris, Jill ou qualquer protagonista clássico. Ele decidiu criar uma história original dentro do universo da franquia.

O protagonista é Brian, interpretado por Austin Abrams. Ele é um entregador de produtos médicos que aceita levar uma encomenda para Raccoon City porque o pagamento é bom. Chega na cidade durante uma nevasca, justamente na noite em que o vírus desperta. No caminho, atropela uma mulher que já estava em transformação, e tudo degringola a partir daí. Brian não é policial, não é agente especial, não é combatente. É um civil jogado no caos, como acontece nos relatos encontrados em notas dos jogos.

A estrutura do filme imita a progressão típica da franquia nos games: personagem vulnerável, ambiente hostil, poucos recursos, novas armas, ameaças maiores e avanço constante. A história se passa em uma única noite, com Brian atravessando diferentes áreas enquanto a cidade entra em colapso. Cada novo cenário apresenta um perigo diferente e aumenta a escala da situação.

O diretor tenta adaptar para o cinema algo que normalmente não é considerado: gerenciamento de recursos. O filme deixa claro quantas balas Brian tem, e cada erro custa caro. Conforme a situação piora, ele encontra armas melhores, exatamente como nos jogos. O estado físico do personagem é comunicado visualmente e sonoramente, inspirado na forma como os jogos mostram dano grave. Há itens de cura e a sensação constante de que os recursos não são suficientes para o que vem a seguir.

O diretor impôs ao filme um ritmo sem descanso após a introdução. A intenção é manter a escalada de tensão o tempo todo. Os puzzles aparecem de forma direta: Brian tenta resolver bloqueios (que o digam os cadeados) da maneira mais bruta possível, sem paciência para enigmas.

O filme trabalha bem com o survive horror (horror e sobrevivência). Os sustos são bem posicionados, a atmosfera funciona, e a fotografia usa enquadramentos que remetem aos jogos, como câmera atrás do ombro ou em primeira pessoa.

O ponto que deve dividir opiniões é a abordagem dos monstros. Eles são uma mistura de zumbis clássicos com infectados rápidos. O vírus não é identificado como T ou G. É apenas “um vírus”, tratado de acordo com a visão do diretor. Não há explicações sobre o surto, nem aprofundamento sobre a “Umbrella”, que só é mencionada.

Há referências a outras obras, como o game “Left 4 Dead” e, principalmente, ao filme “O Enigma de Outro Mundo” (1982), já que os zumbis exibem exuberantes tentáculos internos. O humor aparece com frequência. Os efeitos especiais variam: alguns funcionam, outros são exagerados no CGI. Faltam efeitos práticos.

No geral, “Resident Evil” entrega o que se espera da obra de seu diretor: competência, boas ideias e boa execução. Mas, mesmo sendo ambientado no universo de “Resident Evil”, parece outra obra com alguns elementos da franquia espalhados como acenos ao público. Ele não reconta nada dos jogos e poderia ter usado mais conexões visuais para reforçar o vínculo com a série. É ótimo, mas não totalmente “Resident Evil” — é algo paralelo com referências.

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