
Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte (Teenage Sex and Death At Camp Miasma, 2026), longa-metragem estadunidense de terror queer, codistribuição Retrato Filmes e Mubi, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 13 de agosto de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 112 minutos de duração.
Escrito e dirigido por Jane Schoenbrun, “Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte” é um slasher queer metalinguístico que desconstrói o gênero, ao mesmo tempo que o homenageia – fazendo isso sem a menor vontade de esconder suas intenções.
Hannah Einbinder interpreta Kris, uma diretora independente promissora que fica encarregada de ressuscitar a franquia “Camp Miasma”, uma propriedade intelectual “zumbi” de terror, com origem problemática, que o estúdio quer reabilitar desesperadamente para voltar a lucrar. Enquanto tenta formular sua versão do reboot, Kris encontra Billy (Gillian Anderson), a “final girl” do primeiro filme, agora isolada, vivendo no acampamento abandonado onde tudo foi gravado. Esse simples encontro, vai mudar suas vidas.
Este é o trabalho mais acessível de Schoenbrun, o que não significa simplicidade. A narrativa é carregada de metáforas e mergulha no surrealismo, especialmente quando Kris acaba dentro de um filme da própria franquia “Camp Miasma”, criado por ela.
O assassino “Pequena Morte” (“Little Death” referência direta à expressão francesa “La Petite Mort”, que descreve a sensação de perda de consciência, transe ou esgotamento profundo que ocorre logo após o orgasmo) já deixa claro o tom irônico, assim como os cenários propositalmente artificiais — neve falsa, pinturas evidentes, tudo assumidamente montado. O filme escancara suas referências, às vezes citando-as nominalmente: “Sexta-Feira 13”, “Crépusculo dos Deuses” (Sunset Boulevard), Wes Craven. Sutileza não é o objetivo.
Enquanto o filme anterior de Schoenbrun (Eu Vi o Brilho na TV) falava de identidade e repressão, “Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte” aborda desejo e repressão. Kris lida com desconforto em relação à intimidade, expresso por metáforas explícitas — sua obsessão por doces, seu fascínio por filmes eróticos de terror dos anos 80 — e por elementos surreais que reforçam esse conflito. Billy, por sua vez, encontrou uma forma de se apropriar da própria sexualidade após o trauma de estrelar a franquia original, graças a uma conexão psíquica com o “assassino”. O que acontece com elas é tão real quanto elas permitem, dando às duas controle total sobre suas experiências.
As atuações do elenco são o grande destaque do filme. As protagonistas dominam a cena e trazem naturalidade para aquela mistura de estranheza, humor e momentos de ternura. Os personagens secundários — tanto no filme quanto no filme dentro do filme — servem para satirizar clichês e alimentar o humor que permeia a narrativa.
Para quem pergunta se é assustador, a resposta é simples: não. A tensão vem do desejo, não de sustos. Os elementos de terror são anunciados com antecedência e exagerados de propósito, como homenagem ao trash que “Camp Miasma” virou. O sangue parece recheio de doce, reforçando a estética artificial. A maior sequência de assassinatos é embalada por “A Long December”, da banda “Counting Crows”, em vez de algo sombrio.
Diante de tudo isso, fica claro que o público em geral provavelmente vai se afastar dos temas mais densos e os fãs de slasher tradicional não devem revisitar o filme. No fim, quem deve adotá-lo são os apreciadores de horror queer, que vão enxergar nele o potencial de virar cult.
















