
O mercado editorial que envolve dinossauros virou praticamente território exclusivo de Michael Crichton desde “Jurassic Park”. Muita gente tentou entrar nesse nicho, mas ninguém chegou perto do impacto dele. Como Crichton não vai ressurgir para escrever mais nada, abriu-se espaço para novos autores tentando ocupar o vácuo.
É aí que surge o escritor Ethan Pettus, cujo “Guerra Primitiva – Volume 1”, publicado pela Skull Editora, nos joga de volta ao Vietnã. Uma equipe de soldados americanos recebe a missão de resgatar boinas verdes desaparecidos e investigar uma instalação russa perdida na selva. O detalhe que ninguém mencionou no briefing: o lugar está tomado por dinossauros prontos para transformar qualquer um em estatística.
Não demora para que os soldados percebam que estão em desvantagem contra predadores muito mais fortes e rápidos do que qualquer coisa que imaginavam. Lembre-se: estamos falando de uma época em que dinossauros eram vistos como lagartos gigantes e preguiçosos. Aqui, dor e morte aparecem com frequência, e várias cenas são grotescas o suficiente para afastar qualquer leitor sensível.
Os dinossauros não são o único problema. Pettus insiste em mostrar o que a guerra faz com as pessoas. Não há heróis impecáveis; todos carregam falhas que se tornam cada vez mais evidentes. A linha entre honra e desonra se dissolve rápido. O livro questiona se alguém consegue sair de um conflito como o Vietnã sem se destruir por dentro.
Os personagens não são idealizados. Cada um carrega seus próprios limites, o que torna a leitura mais interessante. Eles estão tão expostos psicologicamente quanto fisicamente, presos em um vale onde qualquer passo pode ser o último.
Quanto aos dinossauros, Pettus entrega variedade. T. Rex, Triceratops, dois tipos de raptors — um vindo das árvores, outro descrito como uma criatura repulsiva — além de outros animais pré-históricos menos conhecidos. O Kaprosuchus aparece como um crocodilo terrestre que caça em grupo, e o Quetzalcoatlus surge como uma aberração voadora com métodos de ataque nada agradáveis. Quando parece que Pettus já usou todas as formas possíveis de matar alguém, ele inventa outra.
Há liberdades criativas nos comportamentos dos animais, mas nada que comprometa o propósito do livro. Alguns nomes aparecem fora de época, já que certas espécies não eram conhecidas pela ciência nos anos 70, mas isso não atrapalha. Os dinossauros são retratados como animais, não como atrações de parque. Quando não estão atacando soldados, seguem suas rotinas, cuidam de filhotes e disputam parceiros.
No fim, “Guerra Primitiva – Volume 1” é um livro cheio de ação que deve agradar leitores que querem algo mais adulto dentro do gênero. Lembra “Jurassic Park”, mas não tenta imitá-lo. Com uma sequência a caminho e adaptação cinematográfica já entre nós (Primitive War, 2025), é um bom momento para conhecer o título.
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