
Vigiados (The Rental, 2020) marca a estreia do ator Dave Franco como diretor e roteirista de longa-metragem. O gênero terror evoluiu tanto, ganhou tantos subgêneros, tantas obras brilhantes, que fazer algo realmente memorável virou missão quase impossível. E, claro, todo ano surgem dezenas de filmes que parecem ter sido escritos antes de um cochilo. Mas continuamos acreditando que o terror está vivendo um momento de ouro e que, cedo ou tarde, um filme do gênero vai levar o Oscar de Melhor Filme. Só não vai ser este.
Então… “Vigiados” é bom? É… razoável. Tão razoável quanto um café morno. Não dá para odiar, mas também não dá para amar. É simples, direto, com quatro personagens que têm motivações claras — e tão genéricas que poderiam ter sido geradas por um aplicativo de criação de roteiros.
O mais interessante do filme, surpreendentemente, são os relacionamentos entre os personagens. A dinâmica romântica, as tensões, as pequenas traições emocionais… tudo isso funciona melhor do que o terror em si. O problema é que o elemento “invasão domiciliar” apresentado, parece mais uma tentativa de iniciar uma franquia do que algo realmente assustador.
Não há nada de errado em sugerir algo maior para uma possível sequência. O problema é quando essa sugestão é a única coisa assustadora do filme inteiro. Aí o público fica com cara de “ué, acabou?”. Franco levanta perguntas, mas não responde nenhuma. E, olha, ambiguidade é ótima… quando existe algo para equilibrá-la. Aqui, ela só deixa um vazio.
Eu até veria uma sequência, porque o mistério é realmente interessante. Mas isso cobrou um custo: “Vigiados” parece mais um prólogo estendido do que um filme completo. Ele segue a fórmula clássica de “amigos em uma casa de férias onde tudo dá errado”, o que não coloca Dave Franco no radar dos grandes diretores de terror — pelo menos não ainda.
Tecnicamente, o filme é muito competente. É escuro, mas dá para ver tudo (o que já é uma vitória no terror moderno). A atmosfera é bem construída, o suspense funciona e o terceiro ato, embora decepcionante, mantém a tensão. Dan Stevens e Sheila Vand brilham, com química de sobra. Alison Brie e Jeremy Allen White também estão bem, mas a dupla anterior rouba a cena.
No fim das contas, “Vigiados” é uma tentativa clara de lançar uma nova franquia. E, nesse sentido, funciona: desperta curiosidade para um segundo filme. Mas sacrificar o primeiro só para apresentar o vilão/elemento principal não foi a melhor estratégia. Ainda assim, se você quer um terror leve, sem grandes pretensões, para assistir numa noite de sábado com pipoca e zero expectativas, cumpre o papel.
Assista o filme aqui:















