Nas Terras Perdidas (por Peter P. Douglas)

Existem algumas certezas absolutas no universo: a gravidade existe, o sol nasce todo dia e um filme moderno do diretor Paul W.S. Anderson vai ter CGI duvidoso, roteiro picotado e Milla Jovovich dando 200% para salvar o que puder. Mesmo assim, eu — otimista que sou — ainda tinha esperança de me apaixonar por “Nas Terras Perdidas” (In the Lost Lands, 2025), afinal, veio da mente de George R.R. Martin. Mas, olha… se isso aqui fosse um dragão, nem fogo cuspia.

A história começa com Boyce (Dave Bautista) narrando um conto de bruxas, monstros e maldade — prometendo zero finais felizes, o que pelo menos é honesto. A humanidade vive espremida numa única cidade pós‑guerra, e tudo além dela virou “Terras Perdidas”. Gray Alys (Jovovich), uma bruxa poderosa, está prestes a ser enforcada porque traiu a igreja. Mas, claro, ela escapa em cinco minutos, porque Milla Jovovich não morre assim tão fácil.

A rainha (cujo rei está morrendo lentamente) pede que Gray Alys vá às Terras Perdidas matar um metamorfo e lhe trazer seu poder. Gray tem uma regra: “Não recuso ninguém”. O capitão da guarda real pede para que a bruxa não cumpra a missão. Então ela também não pode recusar. Resultado: ela aceita tudo e vai mesmo assim. É o famoso “vou porque já estou de roupa de sair”.

Boyce vira o guia da aventura, e o que se segue é uma sequência interminável de cenas de ação em câmera lenta que fariam até Zack Snyder pedir para acelerar. Não tem sangue, não tem impacto. A fotografia é tão desbotada que parece que alguém lavou o filme com água sanitária. A tentativa de criar uma estética “Mad Max” sombria falha miseravelmente — no fim, parece mais um filme original do SyFy Channel com orçamento de Black Friday. E falando em orçamento: como um épico de US$ 120 milhões consegue parecer tão barato? É quase um talento.

A história é previsível, sem a menor faísca da escrita de Martin. Como um mundo pós‑apocalíptico com bruxas, lobisomens e monstros consegue ser tão… chato? Bautista faz o possível com o pouco que tem, porque carisma ele tem de sobra. Jovovich também entrega sua energia de sempre, mas nem ela consegue salvar um roteiro que parece ter sido escrito durante um apagão. A química entre os dois? Inexistente. E o filme nem termina de verdade — claramente esperando virar franquia. Spoiler: não vai.

Em geral, “Nas Terras Perdidas” é repleto de furos, excesso de tela verde e zero personalidade, desperdiçando dois ótimos atores em uma fantasia genérica fadada ao fracasso. Se isso for o início de uma saga, eu já estou pronto para abandoná-la no primeiro capítulo.

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