Idiotas, 2026 (por Peter P. Douglas)

Idiotas (Idiots, 2026), longa-metragem estadunidense de comédia dramática, distribuído pela Imagem Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 03 de setembro de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 99 minutos de duração.

“Idiotas” mistura comédia entre amigos e road movie, mas com uma vibração estranha que nem todo mundo vai absorver de imediato. Davis e Mark (O’Shea Jackson Jr. e Dave Franco) são dois desastrados encarregados de levar Sheridan (Mason Thames), um delinquente juvenil mimado, para uma clínica de reabilitação de luxo. Sheridan é insuportável, vem de família rica e transforma a tarefa em um pesadelo.

Todos os personagens estão em jornadas pessoais, mas precisam trabalhar juntos para a trama funcionar. O problema é que, como o título sugere, Davis e Mark agem por impulso. O humor irônico oscila, às vezes parece inconsistente, e o filme vira um gosto adquirido: você percebe rápido se é o seu tipo de comédia ou não.

O ponto mais interessante é que o humor nasce dos personagens e é apresentado com seriedade quase deprimente. Davis e Mark não se entendem, e Macon Blair — roteirista e diretor — prefere explorar as peculiaridades deles em vez de buscar simbolismos. A crítica social é sutil: ricos que nunca aprendem com os erros, pobres que não têm como aprender. Davis tenta, Mark não. E juntos eles tropeçam em reviravoltas absurdas, quase sempre causadas por Mark ou Sheridan.

O diretor tem talento para esse tipo de comédia sisuda e esquisita. Uma das melhores cenas envolve Davis sendo demitido pelo chefe após levar alunos da igreja para assistir no cinema “Anticristo” (2009), de Lars Von Trier. O diálogo é ridículo no melhor sentido, e a situação se desenrola até que o humor esteja no acúmulo de absurdos, não em uma piada específica.

O elenco acompanha bem essa energia. Kiernan Shipka, como Irina, funciona dentro da sensibilidade desanimadora do filme. Há até uma cena de diarreia explosiva surpreendentemente bem executada — o diretor não poupa ninguém. Cada nova complicação lembra aos protagonistas que eles estão sempre a um passo de outra decisão idiota.

O filme tem prazeres convencionais espalhados pela narrativa caótica, incluindo participações especiais, humor físico e escatológico. Mas o tom instável pode frustrar quem espera algo mais “linear”.

No fim, “Idiotas” funciona porque o diretor entende que nada é mais engraçado do que gente desesperada que se leva a sério demais. É quase uma sitcom, só que oscilando entre extremos, como uma criança entediada trocando de canal. Não é para todos, mas é uma das comédias americanas mais interessantes do ano.

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