Primavera, 2025 (por Peter P. Douglas)

Primavera (2025), longa-metragem italiano de drama, distribuído pela Imagem Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 09 de julho de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 110 minutos de duração.

“Primavera”, adaptação de “Stabat Mater”, obra de Tiziano Scarpa de 2008, marca a estreia cinematográfica de Damiano Michieletto, um diretor italiano consagrado no teatro e na ópera que decidiu que seu primeiro filme deveria, naturalmente, continuar firmemente enraizado na música.

A história que, se passa na Veneza do início do século XVIII, cruza sua narrativa com a vida do mais famoso compositor barroco de todos os tempos: Antonio Vivaldi. Fiel ao espírito da obra de origem, o filme não é “sobre” Vivaldi — é inspirado por ele. Tanto que só ouvimos “As Quatro Estações” depois dos créditos finais, como se o compositor dissesse: “vocês esperaram até aqui, agora podem ouvir”.

A atriz Tecla Insolia interpreta a protagonista Cecilia, uma jovem violinista talentosa do Ospedale della Pietà, convento e orfanato onde meninas aprendiam música e integravam coros e orquestras renomadas. Historicamente, o Ospedale foi o local onde Vivaldi (Michele Riondino) lecionou por décadas.

Ao assumir o cargo de professor e compositor, Vivaldi imediatamente simpatiza com Cecilia. Ele vê nela não apenas talento, mas humildade — uma combinação rara — e os dois tornam‑se confidentes discretos.

O longa foca em acompanharmos a tríplice batalha de Cecilia: sua busca pela mãe, seu casamento arranjado com um oficial militar mais velho e seu amor renovado pela música graças à admiração de Vivaldi. No entanto, o filme quase não investe em romance entre os dois. Há diálogos breves no esconderijo secreto de Cecilia e alguns closes de mãos nervosas, mas nada que faça o espectador torcer por um casal. É mais sugestão do que intenção.

Apesar da complexidade sugerida pela trama, nem Cecilia nem Vivaldi se destacam como protagonistas totalmente convincentes. O que sobra — e é belo — são os detalhes exuberantes da produção e o cenário construído por Michieletto.

Assim, mesmo com a música original de Fabio Massimo Capogrosso, inspirada no Barroco, “Primavera” nunca atinge o clímax emocional que se esperaria de uma obra ligada ao compositor que praticamente inventou o conceito de “fervor musical”. O filme é bonito, cuidadoso, elegante — mas falta aquele impacto arrebatador que Vivaldi, dizem, exalava naturalmente.

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