
A Morte de Robin Hood (The Death of Robin Hood, 2026), longa-metragem estadunidense de aventura dramática, distribuído pela Imagem Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 13 de agosto de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 122 minutos de duração.
A igreja matou Robin Hood — pelo menos é o que as versões antigas insistem em repetir. Nas baladas, o fora da lei, já exausto, procura a prima no Priorado de Kirklees para uma sangria. Ela o trai, ele perde sangue demais, e o fim chega. Em algumas versões, ele ainda dispara uma última flecha para marcar onde deveria ser enterrado. Um adeus quase teatral.
O diretor Michael Sarnoski pega esse material e o remodela em “A Morte de Robin Hood”, protagonizado por Hugh Jackman. Nada de clima leve ou cantoria. O filme mergulha em escuridão, mas mantém os elementos cristãos que sempre rondaram a lenda. Sarnoski transforma o conto em algo mais introspectivo, focado em uma comunidade religiosa tentando lidar com um homem destruído por dentro e por fora.
O diretor já mostrou interesse por redenção em “Pig” (2021), onde Nicolas Cage interpreta outro “Robin” que responde à violência com gestos de misericórdia. Aqui, isso não existe. Este Robin e Little John (Bill Skarsgard) são cruéis sem hesitação. Logo no início, Robin rejeita qualquer heroísmo atribuído a ele. Diz que as histórias são mentiras. Ele matou tanta gente que nem lembra mais.
O primeiro ato é um desfile de brutalidade. Little John espanca um homem por pão e arranca a mandíbula de outro. Robin mata homens, mulheres e crianças. Enterra uma menina sem nome. Atira em um garoto que tenta fugir. Os dois só querem uma grande batalha, como se isso fosse algum tipo de propósito.
Mesmo assim, pequenos lampejos de piedade aparecem. Uma vítima apela a Cristo antes de morrer. Little John, influenciado pela esposa, reza ocasionalmente. Uma família prestes a enfrentar os dois pede perdão.
Então vem a virada. Little John leva Robin, quase morto, ao priorado de São Clemente. Robin quer morrer. Brigid (Jodie Comer), a priora, recusa. O convento é um refúgio para quem não tem para onde ir. O diretor inverte o papel tradicional: Robin não tem fé alguma, e Brigid surge como alguém que tenta cuidar dele, mesmo carregando suas próprias contradições.
Brigid menciona passagens bíblicas, conta a história da conversão de Paulo, ora com Robin. Ele se recupera aos poucos e passa a conversar com outros moradores do convento. De um leproso que se torna amigo, ouve sobre o filósofo Boécio, lembrando que é possível encontrar paz mesmo em sofrimento extremo. O homem revela que conhece o passado de Robin, mas insiste que ainda há outra vida possível.
Conforme Robin melhora, seu comportamento muda. Ele caça para ajudar o convento. Torna-se uma figura paterna para Margaret, filha órfã de Little John. Abandona a violência. Quando um garoto chega para vingar os irmãos, Robin o manda de volta para casa, encerrando o ciclo de violência e, consequentemente, a cadeia de mortes.
Seria um bom ponto final. Mas Robin Hood precisa morrer. Descobre-se que Robin queimou vivos o marido e os filhos de Brigid. Ele confessa. Oferece a vida para que ela o mate. Ela começa, mas para. Diz que deve a ele a capacidade de cuidar dos outros. A dor a transformou.
Robin então pede que ela o ajude a tirar a própria vida. “Cure-me”, diz ele, “como quem poda uma flor.” No fim, o diretor segue a balada. Brigid o sangra até a morte. Margaret dispara a última flecha. A igreja mata Robin Hood de novo — desta vez por eutanásia.
A tristeza não vem do ato final, mas da constatação amarga: alguns personagens estão tão destruídos que, segundo o filme de ritmo lento e contemplativo, não há caminho de volta. Se Robin tivesse continuado a trilhar aquela rota tardia de mudança, talvez tivesse visto onde ela poderia levá-lo.
















