
É sempre bom ficar até o fim dos créditos — vai que aparece uma ceninha extra, um último suspiro narrativo, um aceno cúmplice do diretor. Mas com “Honey, Não!” (Honey Don’t!, 2025), – segundo filme solo do irmão Ethan Coen (como diretor e co-roteirista ao lado da esposa Tricia Cooke) – a espera foi em vão. A cena final é realmente o fim, e ficamos ali sentados, encarando a tela preta, pensando: “era só isso mesmo?”.
O filme começa bem: um acidente de carro, uma jovem (Lera Abova) roubando um anel da vítima, e o detalhe de que o anel tem o símbolo do Templo das Quatro Vias, a igreja comandada pelo Reverendo Drew Devlin (Chris Evans). Logo descobrimos que a vítima estava indo se encontrar com Honey O’Donahue (Margaret Qualley), detetive particular com mais estilo do que a cidade inteira de Bakersfield somada.
Honey tenta trabalhar com o Detetive Marty Metakawitch (Charlie Day), que é tão útil quanto um guarda-chuva furado. Então ela recorre à oficial MG Falcone (Aubrey Plaza), que também não ajuda muito, mas ao menos oferece uma cama quente.
O filme começa cheio de energia, mas conforme avança, as histórias parecem se conectar com fita adesiva velha. Cada elemento individual é interessante — alguns engraçados, outros picantes, outros grotescos — mas nada se une de verdade. É como se o longa tivesse várias ideias boas, mas nenhuma vontade de escolher uma para desenvolver. No final, até existe uma “resolução”, mas ela chega tão vazia que parece ter sido escrita poucos minutos antes da filmagem.
O grande trunfo do filme é o elenco. Chris Evans está excelente como o pastor canalha, usando charme e beleza como armas de manipulação espiritual. Charlie Day está hilário como o detetive perdido no próprio raciocínio. Aubrey Plaza entrega sua habitual aura sombria com perfeição. Margaret Qualley é magnética, elegante e afiada — uma das jovens atrizes mais interessantes da atualidade.
E Ethan Coen sabe filmar. Visualmente, tudo é lindo. A atmosfera neo-noir está lá. O problema é que o roteiro não acompanha o visual. Ele sugere temas como pais ausentes, mulheres vulneráveis e líderes religiosos predatórios, mas nunca se aprofunda em nada. É tudo rascunho, nada finalizado.
Nem todo filme precisa de uma trama complexa. Às vezes, vinhetas soltas funcionam. Às vezes, histórias desconexas se entrelaçam no final. “Honey, Não!” não faz nem uma coisa nem outra. E você não precisa esperar até o fim dos créditos para perceber isso — mas, se esperar, vai ter certeza.
















