Futuro Futuro (por Peter P. Douglas)

Futuro Futuro (2025), longa-metragem nacional de drama, distribuído pela Cajuína Audiovisual, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 23 de julho de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 86 minutos de duração, dirigido por Davi Pretto.

Na trama, nosso protagonista “K” (Zé Maria Pescador) – em uma referência a Kafka – acorda sem memória numa periferia de Porto Alegre. Ele entra numa escola, encara uma maquininha que projeta um triângulo vermelho no rosto, e pronto: estamos oficialmente dentro do filme. Sem casa, sem passado, sem rumo, “K” vai morar com o personagem sessentão de João Carlos Castanha, e juntos frequentam um curso que treina pobres para trabalhar com IA, basicamente virando operadores de slides. Quando dorme, “K” vê flashes vermelhos da vida que supostamente esqueceu — imagens da elite, todas geradas por IA, porque claro que até o passado dele pode ser artificial. A partir disso, resolve iniciar uma jornada em busca de respostas.

Vamos começar falando da ambientação que é onde o filme realmente acerta. A fotografia de Leonardo Feliciano cria um Brasil encharcado, sufocante, melancólico — uma distopia que parece sempre estar presente. É uma estética forte, que merecia um filme igualmente forte. Mas aí vem a execução.

O elenco tenta, mas não consegue exprimir veracidade. O roteiro, apesar da premissa poderosa, anda em círculos. Repete situações, estica cenas, e transmite a sensação de que está esperando uma grande revelação que nunca chega. O espectador fica ali, parado, aguardando o momento em que tudo vai se encaixar — mas o filme prefere ficar girando em torno de si mesmo. E quando tenta algo ousado, tropeça: a cena de sexo, por exemplo, surge do nada, não acrescenta nada e parece existir apenas para causar choque, sem sustentar o impacto.

“Futuro Futuro” é irregular, frustrante e cheio de ideias que parecem mais interessantes no papel do que na tela. É o tipo de filme que vai dividir opiniões: alguns vão chamar de experiência instigante, enquanto outros vão vê-lo como um exercício estético que se perde no próprio labirinto.

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