
Águas Mortais (Deep Water, 2026), longa-metragem de suspense e drama catástrofe, coprodução Espanha, Estados Unidos e Nova Zelândia, distribuído pela Diamond Films, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 23 de julho de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 107 minutos de duração.
Sou fã de filmes de tubarão — dos clássicos, dos exagerados, dos tensos, dos mal-feitos, etc. Então, quando descobri que Renny Harlin, o mesmo diretor de “Do Fundo do Mar 1” (Deep Blue Sea, 1999) estava por trás de “Águas Mortais”, minha reação foi imediata: “É isso! Vou ver!”.
Assisti ao filme. E, no quesito figurantes digitais… opa, quero dizer ataques de tubarão CGI, ele entrega o que promete: são muitos, são sangrentos, são aleatórios. A queda do avião também funciona — é tudo o que se espera de um desastre cinematográfico… o problema é que eu não consegui me importar com absolutamente nenhum dos personagens. Zero. Nada. Ninguém.
Aaron Eckhart, que eu até gosto, interpreta o protagonista Ben, segundo piloto em comando e um pai que se recusa a voltar para casa para ajudar o filho com câncer. Angus Sampson surge como um vilão de desenho animado, fumante compulsivo que não vê problema em sacrificar comissárias de bordo. Temos também a avó superficial que dá notas às pessoas como se estivesse avaliando produtos; os pais que abandonam os filhos para transar no banheiro; a garotinha que só existe para se meter em encrenca; o jogador americano que odeia o colega e-sports chinês sem motivo. É um desfile de personagens tão desagradáveis que você começa a torcer pelos tubarões — e isso nunca é um bom sinal.
Ben Kingsley — novamente se jogando em papéis duvidosos — interpreta o principal piloto da aeronave, e seria maravilhoso vê-lo socando tubarões. Infelizmente, ele nem chega perto deles.
A história? Funciona no nível “ok, isso é um roteiro”. Dá para perceber que uns 88 roteiristas meteram a mão ali, porque tudo parece escrito por comitê: avião sobe, avião cai, gente morre, tubarão mastiga, alguém salva o dia. A presença dos tubarões não influencia estratégia, não cria dilemas, não exige engenhosidade. A única “decisão” que inspiram é: “vamos para a jangada em vez de nadar”.
O mais engraçado é que, com tantos escritores envolvidos, ninguém pensou em criar personagens que não fossem descartáveis ou irritantes. Quando alguém diz “prefiro animais a humanos”, você só consegue concordar.
Tecnicamente, o filme é bem filmado. Harlin sabe dirigir ação — isso nunca esteve em dúvida. As cenas noturnas são decentes, a fotografia é competente. A trilha sonora… existe. Provavelmente. Nada que você vá lembrar depois.
No fim das contas, “Águas Mortais” é um filme de tubarão de segunda categoria, abaixo do talento do diretor, do elenco e até do buffet do set. Bonito por fora, mas cheio de personagens insuportáveis que fazem sua duração parecer uma eternidade. É o tipo de filme que prova que, o maior problema não é o CGI e sim a falta de personagens minimamente interessantes, onde nem tubarões famintos conseguem salvar toda a experiência.
















