Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha (por Peter P. Douglas)

Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha (I Built A Rocket Imagining Your Arrival, 2026), longa-metragem nacional de drama, produzido por Moçambique Audiovisual e Delírio Filmes, estreou, oficialmente, na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, com classificação indicativa 14 anos e 92 minutos de duração, dirigido por Janaína Marques.

Durante um exame de ressonância magnética, Rosa (Verônica Cavalcanti), uma cinquentona, é orientada a se lembrar de uma memória feliz. Ela inicia, então, uma viagem pelo seu subconsciente, revisitando o passado e criando um episódio que nunca viveu: uma road trip com sua mãe, Dalva (Luciana Souza), mulher independente e irreverente que chegou a ser presa (por 20 anos) por matar um homem prestes a cometer feminicídio. Crescida durante a ausência da mãe, e agora, suspensa entre a vida e uma memória inventada, ela imagina um reencontro que se transforma em tentativa de cura e reconciliação.

“Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha” é o longa de estreia da diretora Janaína Marques e só pode ser definido como drama experimental — porque, sinceramente, qualquer outra classificação faria o filme olhar de volta para você com desdém. É terapia, road movie e delírio poético tudo ao mesmo tempo. Trata-se de uma protagonista atravessando o deserto da própria alma em busca de uma ideia mais clara sobre quem é, acrescentando algumas pitadinhas queer.

O filme usa majoritariamente subtexto — e muito subtexto. Além do apuro estético, o roteiro escrito a quatro mãos (por Pablo Arellano, Pedro Candido, Taís Monteiro e Xenia Rivery) tenta tratar de independência feminina, violência doméstica e o alto preço de certas escolhas.

A diretora é criativa, mas nem sempre habilidosa em montar essa road trip psicológica. Em vários momentos, o público fica quase completamente à deriva em um mar de imagens belíssimas, como quem entrou num museu sem mapa. Apesar disso, sua parte técnica o coloca acima de muitos outros títulos experimentais — é confuso, sim, mas é um confuso bem-feito.

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